Ai, Bracil!!!

06/04/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Hoje estava olhando o Facebook, e vi a foto de uma amiga participando de uma feira comercial. Participei de muitas, nos anos 80, quando trabalhava na Embratur nos Estados Unidos. Geralmente, devido a endêmica falta de grana do nosso escritório (embora as más línguas dissessem que nadávamos em dinheiro...o meu salário, por exemplo, diziam que era 4 paus por mês, e eu mal levava mil para casa), tinhamos que compartilhar os estandes com uma ou outra empresa particular.

Numa certa feita, compartilhamos com a Transbrasil. Mandaram para representar a empresa um gringo, altão e desajeitado, que obviamente pouco ou nada entendia sobre o Brasil. Estava mais perdido do que uma jangada no meio do Oceano Pacífico.

O cara não sabia o que dizer, e a certa altura do evento, que estava bastante chato, começou a falar, a altos brados, "Ai, Bracil", quase ensaiando uma dancita a la Carmem Miranda. Só faltava uma cesta de bananas na sua cabeça. Não tenho a mínima ideia do que o cara pretendia com essa patética coreografia.

Não acho que a Transbrasil, que na época nem tinha voos para os Estados Unidos, ganhou muitos clientes novos naquele dia e fiquei surpreso que o cara não saiu dali em camisa de força.

Ai, Bracil!!!!!

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Parque Shangai

05/04/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Para mim, a baixada do Glicério significava uma coisa só - o Parque Shangai. Ou Xangai. Não me lembro da grafia usada naqueles tempos, pois na verdade, acho que nem sabia ler na época do famoso parque!

O Playcenter nem sonhava em existir no auge do Shangai. Que eu saiba, era o único parque de diversões fixo de São Paulo. No início dos anos 60 existiam bastante parques itinerantes e circos. Me lembro, por exemplo, do Circo Seissel (do Arrelia), que ficava em algum lugar do Brás, na época um bairro calmo. Quem diria que hoje é campeão de crimes em SP!

Lembro-me também de estar num taxi, e de um inusitado engarrafamento causado por um desfile de elefantes. Devia ter uns quatro anos, meus pais já morreram, portanto os detalhes se esvairão na memória da humanidade. Se bem que dizem que os elefantes têm boa memória e vivem muito...

Voltando ao Shangai, quando meu pai trabalhava na Folha de São Paulo, o jornal fazia festas para os jornaleiros no Parque. Íamos de bicões, e nos divertíamos bastante. Além disso, o jornal distribuía chocolates e balas para a criançada. Me lembro inclusive que a Kibon fazia chocolates. Devia ser por volta de 1964.

O parque tinha todos os brinquedos que eu gostava, nada muito rebuscado. Não me lembro de ter me aventurado na montanha russa. O trem fantasma foi suficientemente assustador para mim.

Eventualmente, o parque se esvaiu. Acho que construíram uma escola no seu lugar. Entre outras coisas, a baixada do Glicério não era um dos melhores locais para colocar o parque. Sim, o terreno era plano, próximo do centro, mas o Rio Tamanduateí vivia transbordando, o que, sem dúvida, deve ter causado danos em um ou outro brinquedo.

Provavelmente acharia tudo horrível e precário hoje, mas nos puros olhos da criança tudo é divino maravilhoso.

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Guerras geográficas

03/21/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Já sei. Toda guerra é geográfica. Geopolítica, expansão territorial, blá, blá, blá. Não sou tão estúpido assim.

Não é disto que estou falando.

Viajar é gostoso, mas no Brasil é, acima de tudo, um símbolo de status.

Já me deliciei diversas vezes presenciando verdadeiras batalhas geográficas, conversas entre pessoas que querem provar que conhecem mais lugares, ou que os conhecem melhor do que seus interlocutores. Crêem que supostamente isto lhes dá mais nível, uma posição mais destacada na escala de evolução humana.

A coisa começa de uma forma muito sutil. Maresias, Angra dos Reis, Campos do Jordão. Daí passa para Salvador, Natal. Destinos domésticos básicos. A próxima etapa da batalha, mais séria, é Porto de Galinhas, Costa do Sauípe, para os praianos, Floresta Amazônica e Pantanal para os eco-conscientes. Nesta fase os guerreiros ainda estão testando o inimigo e planejando os futuros ataques.

A guerra começa para valer quando os guerreiros pegam seus passaportes. Buenos Aires é um ponto inicial favorito, até porque fica perto, e não custa muito caro. Demonstrar bastante familiaridade com BA é necessário. Onde comer o melhor peixe da cidade (carne todo mundo sabe), o melhor hotel barato sem baratas e o melhor lugar para ouvir tango-punk-jazz argentino, mesmo sem gostar, são armas necessárias para quem quer ganhar esta batalha de titãs logo na sua fase inicial.

Geralmente aí começa o chumbo grosso. Nova York, Paris, Miami, setenta viagens à Disney World (e cinco à Disneylandia). Uma única viagem à Disney significa batalha perdida. Demonstrar vasta cultura gastronômica (se possível lugares não frequentados por turistas, tanto os super baratos ou como os super caros, nunca os medianos) faz parte da guerra. Conhecimento de banheiros públicos limpos, demonstrar irritação e desprezo aos pontos turísticos populares e saber de cor a tarifa atual dos taxis é essencial. Ter fotos, vídeos e lembranças como caixas de fósforos também faz parte do arsenal. Nesse caso, leva vantagem quem é o mandante do jogo, portanto sempre deixe seu álbum á vista.

Nessa altura da guerra, muitos recorrem ao jogo sujo. Mentira é uma arma muito usada embora geralmente, a parte contrária concorde com a mentira, para não ficar para trás. Usurpar experiências de outros, extraídas de revistas de viagens ou da internet é um outro elemento bélico comumente usado.

Se a batalha ainda não terminou, o jeito é falar da Albânia, Belize, Montserrat e Groenlândia, lugares exóticos, mas ainda assim próximos da nossa área de influência, Europa e Américas.

A última tacada deve ser o super exótico - Chade, Papua-Nova Guiné, Omã, Vanuatu, Butão, Seychelles. Sempre viaje durante a temporada de tufões, pois histórias de tsunamis (de preferência com algum tipo de cicatriz) ganham qualquer batalha. Picadas de sapos venenosos, malária e ser sequestrado por piratas também garantem muitos pontos.

E se nada disso funcionar, Antártida! Quero ver quem foi para a Antártida. NO INVERNO!

Afinal de contas, o povo viaja para aprender mais, se divertir e curtir a Terra, ou para contar vantagem???

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Memórias da zona do Arouche

02/13/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

O conjunto de coisas que ficam na memória da gente é algo exclusivo e pessoal. O que impressiona um, não impressiona o outro. Detalhes fogem a alguns, e são captados por outros. Coisas que são lembradas com asco por uma pessoa, podem ser lembradas com carinho por outra. Só que às vezes, achamos nos lugares mais esquisitos e inusitados pessoas que compartilharam experiências e paixões por uma coisa ou outra. Principalmente na Internet. É gratificante escrever sobre essas coisas singelas, pois fica o prazer de ter trazido um sorriso no rosto de um desconhecido, e ás vezes, isto até resulta em novas amizades.

Nos anos de 60 o Largo do Arouche já não era um lugar chique como fora em décadas passadas, mas ainda era um lugar seguro e agradável. Meu pai frequentemente nos levava para brincar por lá, assim tenho muitas lembranças da área.

O Largo ficava a poucos quarteirões da minha casa, e nele se escondiam alguns tesouros surpreendentes.

Lembro-me de uma loja que vendia só despertadores. Devo ter entrado na dita cuja uma ou duas vezes na vida, mas me recordo até hoje da barulheira de centenas de despertadores fazendo tic-tac ao mesmo tempo. Naquela época, tudo era analógico, até os dedos!

Além disso, tinha o parquinho em si, com bastante areia para brincar. Na falta de Santos, a areia do Arouche era bem vinda. Lembro-me de um guri meio encrenqueiro, que tinha um Gordini preto de metal. Seu nome era Quico, e eu e meu irmão tivemos algumas questões mal resolvidas com ele. Coisa de criança, deixa para lá.

Havia uma loja da Leite Leco, que vendia leite e queijo fresquinho. Fazia uma barulheira tremenda lá dentro, acho que distribuíam para o comércio local. Na época o leite era vendido em pirâmides de papelão, além de garrafas. Pouco depois, passaram a ser vendidos em saquinhos plásticos.

Antes de chegar no parque em si, havia o Hotel Sao Rafael, na esquina da São João. Para mim, parecia um lugar muito chique, e disse para mim mesmo, um dia desses ainda vou me hospedar aí nesse hotel chique. Dito e feito, já adulto, em uma das minhas idas a São Paulo, arranjei uma forma de me hospedar no hotel. Não era bem um pulgueiro, mas para quem já estava (mal) acostumado com os Maksoud Plaza da vida, ficava muito a desejar...

Havia uma grande floricultura, chamada Rinaldi. Nunca vi tanta flor assim na minha vida, fora de jardim, é lógico.

Próximo da Avenida São João, havia barzinhos com cadeiras na rua, sempre habitados por muita gente falando bastante, alto e gesticulando. Me parecia divertido, só não sei se ainda existem. Será que o pessoal ainda se diverte na agora triste área?

Na cercania havia uma quitanda de japoneses que deviam ter acabado de chegar do Japão. Os donos mal falavam português. Na parede da quitanda mal iluminada, uma ou outra impressionante carranca japonesa. Achava tudo muito curioso e étnico.

Agora, gostoso mesmo era o Gato que Ri, onde comi algumas vezes. Comida honesta.

Falando em comida honesta, quase na Praça da República ficava o antigo Fasano, onde meu pai, vez por outra, comprava massas frescas. E honestas.

No meio do quarteirão da Vieira de Carvalho ficava a Dulca, com gostosos doces e panettones. Faziam uma excelente bomba de chocolate, de babar.

E já lá pros lados da República, ficava a Churrascaria República. Havia um tanque com carpas no meio do restaurante, e sempre insistia em sentar perto delas. Me deliciava de vê-las nadando, lembro como se fosse hoje. Além disso, o couvert incluía um salsão com gosto inesquecível. Incrível essa coisa de memória de paladares. Enfim, vez por outra ainda encontro um salsão com gosto parecido, mas nunca igual.

Havia muitas lojas por ali. Lembro-me de uma loja de brinquedos (sempre os brinquedos) na qual comprei diversos carrinhos (sempre os carrinhos) japoneses. Havia também muitas lojas de luminárias, se não me falha a memória. Uma tinha uma luminária de lava eternamente exposta na vitrine que simplesmente me fascinava.

Um dia desses passo pelo Arouche de novo.

Antes que me esqueça, nunca vi o Caco Antibes por lá.

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Tinha que acontecer um dia

02/12/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Lembro-me que há uns 10 anos atrás, tive a oportunidade de assistir diversos jogos do Santos durante uma das minhas idas ao Brasil. Só do Vasco o meu time apanhou três vezes naquela ocasião, num Rio-São Paulo. O Edmundo fez a festa.

Assim que quando ia ao Brasil nem fazia muita questão de assistir as partidas. Não sou supersticioso, não achava que dava azar se eu assistisse. Mas simplesmente acabava fazendo outras coisas e lia o resultado no dia seguinte.

Desta vez, por uma série de circunstâncias, tive que ficar plantado. E não é que assisti quatro partidas do Santos e o time venceu as quatro? Que beleza! Ainda por cima goleou duas vezes e se tornou líder do campeonato, depois de um começo meio esquisito.

Também assisti à volta do Robinho, e me deleitei com o futebol de Neymar e Ganso.

Espero que continue assim.

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O jeito TAM de voar...nas nuvens

01/18/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Juro que não queria escrever outro post negativo sobre a TAM, mas a minha mais recente viagem para o Brasil requer pelo menos um breve relato de certos acontecimentos.

Alguém na TAM realmente está nas nuvens.

A TAM de Miami obviamente não tem a capacidade para operar três voos quase concomitantes. E é exatamente isto que ocorre, pelo menos num dia da semana (sinceramente não sei se ocorre nos outros). Há dois dias atrás, fui tomar um voo diurno da TAM em Miami, e quando chego no aeroporto, descubro que quase ao mesmo tempo, a companhia tinha dois outros voos, outro para São Paulo, menos de uma hora depois, e outro para Manaus, um pouco antes do meu voo.

Com sete guichês abertos, três designados para as classes superiores e para portadores de cartões vermelhos, não podia dar outra. Prudentemente, chegamos no aeroporto às 5 da manhã, para tomar o avião das 8 e 20, e ficamos na fila durante quase três horas.

Juntam-se dois outros fatores negativos à falta de planejamento, e temos o potencial caos instituído. Primeiramente, o sistema de computação da TAM requer melhorias imediatamente - isto vindo dos próprios funcionários. Havia um grupo de passageiros estacionado na frente de um guichê durante mais de uma hora e meia, por que o sistema não imprimia seus bilhetes e a impassiva funcionária não parecia se importar muito com o problema. Segundo, não detectei um único brasileiro entre os funcionários que estavam atendendo no balcão - havia uma brasileira distribuindo etiquetas de bagagem, só isso, e ela logo desapareceu quando o caos se estabeleceu. Nota-se um grande descaso dos funcionários, daquela falta de orgulho de trabalhar numa empresa brasileira, tão comum entre os trabalhadores da ex-Varig (é impossível deixar de comparar). Os funcionários de Miami são altamente burocráticos, trabalham vagarosamente, e o resultado foi que o voo de 8 e 20 acabou saindo quase às 11 da manhã! Foi a primeira vez que tomo um voo tão atrasado por pura inépcia organizacional de uma empresa. E olhe que já voei bastante na vida.

Quanto ao voo em si, depois de ficar três horas na tal fila que não andava, passar mais de oito horas dentro de um avião cuja configuração dos assentos foi projetada para se enquadrar à estatura média dos brasileiros de 50 anos atrás foi duro. ACORDE, TAM!!!! A estatura das mais recentes gerações de brasileiros aumentou bastante, e os assentos são completamente impróprios para pessoas que, como eu, têm mais de 1 metro e oitenta de altura. São ótimos para os anões do orçamento de outrora. E também não são suficientemente largos para os mais rotundos.

Assim que a TAM está jogando dinheiro fora ao anunciar seus serviços, em inglês, para americanos em amplamente disseminadas propagandas de taxi em Miami. Um americano alto e largo provavelmente viajará pela TAM uma única vez, simplesmente não vai aguentar o baque, o verdadeiro suplício que é viajar durante oito longas horas quase encaixotado.

A meu ver, tudo isto é fruto de falta de planejamento. Alguém realmente está nas nuvens, afetando negativamente o jeito TAM de voar.

Para não dizer que tudo estava ruim, a comida estava um pouquinho melhor do que o normal...

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Clipper

01/05/10 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Outro dia estava pensando em coisas da infância, e decidi escrever sobre as Lojas Clipper. Deixei de lado, mas hoje estava lendo um site sobre São Paulo antiga, e no artigo sobre o Largo de Santa Cecília havia uma menção sobre a loja.

Para mim a Clipper era o auge do luxo. As pessoas gostavam de dizer que o Mappin da Praça Ramos era melhor, mas eu não estava disposto a discutir com ninguém sobre gosto varejista. Sempre achei que todos têm o direito de estar errados. Além de ficar a dois quarteirões da minha casa, a Clipper tinha tudo que eu podia esperar de uma loja.

Para começo de conversa, tinha uma boa seção de brinquedos, o que para mim era essencial na época. Na realidade, até hoje, mas não vou admitir em público que me amarro em brinquedos, mais especificamente, em carrinhos. Opa. Acabei de admitir. Lá comprei diversos, inclusive um Alfa Romeo 2600 azul da Solido, e ganhei também uma escaladeira movida a bateria, de Natal.

Mas além dos brinquedos e roupas, era ali que eu cortava o cabelo. Sim, a Clipper tinha um barbeiro infantil, e eramos assíduos frequentadores, eu e meu irmão. Nunca entendi por que a criançada abria o berreiro, não lembro de ter chorado nenhuma vez. Os barbeiros eram todos muito simpáticos.

Também inesquecível era a lanchonete, que servia um misto quente com gosto de infância. Nunca achei outro igual, em nenhum outro país. Nem o croque monsieur de Paris ou o tostado argentino com pan de miga são tão bons.

Minha mãe comprou diversos eletrodomésticos na loja, a crediário, algo que eu achava muito chique. Quando a conta é dos outros a gente acha chique. Quando é da gente, choramos.

Lembro que bem no comecinho da Jovem Guarda anunciaram que o Roberto Carlos ia cantar na loja. Lá fomos nós, eu, meu irmão e minha mãe, os três fãs. Só que RC não apareceu, mas naquele dia aprendi uma palavra nova - T U M U L T O. Era gente correndo para tudo que é lado, acho que se ele tivesse vindo a coisa teria sido mais leve.

Quando atingi a adolescência a Clipper já tinha ido para o chinelo, como tantas outras lojas. Por exemplo, a Isnard, que ficava na Avenida São João, quase na esquina com a Duque de Caxias, que supostamente era bastante antiga e tradicional, e a própria Eletroradiobras, que parecia ser inabalável.

De qualquer modo, a área, que era razoavelmente nobre nos anos 60 se tornou um horror nos anos 80, e o comércio local, compatível com a frequência da vizinhança.

Entretanto, a estação Santa Cecília do metrô até que é legal.

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Revista Pop

12/01/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Em 1972 comprei meu primeiro exemplar da revista Pop. Fiquei fascinado com o prometido disco grátis que vinha com a revista, para mim uma grande novidade. Era um disco bem molengo, e tinha músicas do Cream, que eu não tinha a única ideia quem era.

Gostei da revista, e passei a comprá-la mensalmente. De fato, era rato de jornaleiros, e comprava de tudo. Gibis de toda qualidade, revistas de automobilismo, e às vezes, quando me dava na telha, a Veja. Tinha um grande problema para administrar a minha restrita mesada.

Gostava de ler as paradas de sucesso, que na realidade, nada tinham a ver com as paradas de sucesso verdadeiras do Brasil. Diversos cronistas especializados, como Tarik de Souza, Ana Maria Bahiana e Pink Wainer, escolhiam seus discos prediletos do mês. Foi nessas páginas que comecei a me inteirar sobre os mais famosos grupos de rock da época, como Jethro Tull, Deep Purple, etc. O curioso é que naquela época os discos estrangeiros eram lançados no Brasil uns dois anos depois de lançados no exterior.

Uma das edições veio com um poster da Maria Bethania de busto nú. Não entendi até hoje o porque daquilo. Coisa do Guilherme Araújo, sem dúvida.


Eventualmente, me dei conta de que eu não fazia parte do público alvo da revista Pop. Era muito jovenzinho ainda, e ficava muito interessado nas reportagens com sugestões de festinhas, que julgava eu, qualquer jovem poderia realizar. Quando me dei conta dos custos das tais festinhas, fiquei bastante desapontado. Teria que ganhar na loteria para fazer uma única festinha da revista Pop!!!

Ainda assim, continuei lendo a revista por mais algum tempo, até que um dia vim para a sede do mundo pop.

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Bomba em Paris

11/06/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Nada de terrorismo. Gosto de bomba de chocolate, o vulgo eclair. Considero-me um especialista no assunto. E quando fui a Paris sem dúvida quis achar o Eclair perfeito.

Numa das nossas andanças fomos ao L'Opera. Na escadaria, uma bandinha de jovens tocava músicas de New Orleans misturadas com outros estilos. Tocaram inclusive uma música brasileira. Não eram muito afinados, os guris. A mais engraçada era a menina que tocava um bumbo e percussão, que se chacoalhava toda, pois ainda queria dançar. A boina na cabeça dava o pitoresco toque final.

Resolvemos então tomar um espresso no Cafe de la Paix, que fica ao lado do L'Opera. Logo fui à luta, procurando uma bomba no cardápio. Achei. DEZESSEIS EUROS!!!!!!!!! "Pera aí, sou turista, sim, mas não sou milionário, nem otário. Se eu comer essa bomba e não estiver boa, vai sair briga aqui". Resolvi não comer a dita cuja, fiquei no espresso mesmo. Não me importaria em ficar uns meses em Paris, mas não na cadeia.

No dia seguinte, estávamos andando em direção da Galleries Lafayette, na mesma área, quando de longe avistei o proverbial boteco - só que era um boteco de doces, não de birita. Algo me dizia que era ali. Meu instinto, meu faro, minha intuição, minha sensibilidade e décadas de experiência me diziam que seria ali que eu me deleitaria com a bomba dos meus sonhos.

E foi. Dois euros, ainda por cima.

Não tenho ideia do nome do lugar, mas se precisar voltar lá, volto. Só sei que ficava perto de um teatro onde tinha tocado, na noite anterior a banda Uriah Heep, uma das minhas prediletas nos anos 70, que julgava estar inativa há muito tempo.

Minha viagem a Paris certamente não foi em vão.

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Por que não vir a Miami Beach

10/30/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Sei que no imaginário do brasileiro, Miami Beach é uma coisa imperdível. A novela America só fez aumentar o ibope da cidade do sul da Florida.

Ocorre que nem tudo é tão lindo, colorido e amistoso na bela cidade Art Deco. Principalmente se você decidir alugar um carro e dirigir.

Isto por que provavelmente é o pior local do mundo para você estar munido de transporte individual. Não é por causa do trânsito, mas sim, por causa de estacionamento.

A cidade é pequena, e francamente não está equipada para receber o número de visitantes que aqui passam por ano. As convenções e teatros só pioram a coisa, trazendo gente de outras cidades vizinhas, portanto, sexta-feira e sábado a noite devem ser evitados, pois você não encontra estacionamento em nenhum dos estacionamentos públicos operados pela prefeitura. Quem sabe, encontre lugar nos mais caros próximos da Alton.

O pior mesmo são os guinchos. Não são guinchos oficiais da prefeitura, não. São duas empresas particulares que abusam do direito de guinchar e a polícia não faz nada!!! Por ano, mais de 12.000 carros são guinchados por essas duas empresas, isso numa cidade de 60.000 pessoas. Façam as contas.

Se você quer ser roubado, alugue um carro e estacione no estacionamento de uma loja.

Se você cair na besteira de não ir direto ao estacionamento ao sair da loja seu carro poderá ser guinchado, e a brincadeira custa até 225 dólares. E muitas vezes, mesmo que você tenha ido somente á loja que supostamente tem o estacionamento para os seus clientes, e a nenhum outro estabelecimento, não estão nem aí. Levam o carro, e não adianta reclamar á polícia, pois eles também não estão nem aí. Não é loja que chama o guincho - os próprios caras da empresa de guincho ficam espreitando esperando um otário, como batedores de carteira á busca de um freguês.

Das duas uma. Fique na cidade, mas não alugue carro, pois você terá dor de cabeça, na certa, se alugar. Ou então, nem venha. Há diversas outras cidades na Flórida que administram seus estacionamentos de uma forma mais decente.

A não ser que você não se importe de gastar as 225 doletas. Se estiver sobrando, mande para mim.

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Impressões de Paris - O Hotel

09/28/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Ainda bem quem não nutria esperanças de desfrutar de bons momentos no hotel, na minha estadia em Paris. Pois a casa de repouso foi, de longe, o ponto baixo da viagem.

Não foi por falta de aviso. O site no qual fiz a reserva do hotel basicamente avisava, através de críticas feitas por ex-hóspedes, quais eram os pontos bons e ruins do hotel. Entre outras coisas, fui avisado dos carpetes manchados, da falta de porta no box do banheiro e do aparelho de ar condicionado inoperante. Mas ninguém merece pagar 500 euros por um hotel de primeira, mesmo em Paris. A óbvia vantagem era o privilegiado local do hotel, que supostamente, tinha uma deslumbrante vista da torre Eiffel, o cartão de visitas da cidade.

Pois bem, após um excelente vôo e uma chegada gostosa, por fora o hotel Derby Eiffel não parecia mal. Achei que os comentários tinham sido feitos por mal acostumados americanos, que gostam de quartos hiper-dimensionados equipados com jacuzzi - e querem pagar 50 paus pelo mesmo. A recepção do hotel era simples e de cara não consegui enxergar o restaurante onde supostamente serviam o café da manhã - diga-se de passagem, não incluso na diária. Curiosamente, notei que embora tenha pago 160 dólares de diária, esta na realidade custava 160 Euros - ou seja, me senti que nem o Gerson.

Isto até entrar no elevador. Não sou especialista em elevadores, mas, como já tenho quase cinquentão, e morei em duas mega-metrópoles do mundo, Nova York e São Paulo, já estive em muitos elevadores nesse meu meio centenário. Desde os supersônicos carros do defunto World Trade Center até aqueles horripilantes elevadores com porta pantográfica de alguns prédios do centro de São Paulo, que mais parecem uma cela de prisão. Dizer que o elevador era minúsculo seria a hipérbole das hipérboles. Quase não existia. A maior piada era a placa de advertência, que alegava que o veículo tinha capacidade para quatro passageiros. Só se fossem bebês pigmeus. Praticamente tivemos que empilhar as malas, e nos apertarmos para entrar no dito cujo. Justiça seja feita, chegou no quarto andar sem problemas.

O quarto - ou melhor - o oitavo, parecia bem maior nas fotos do site. Era muito pequeno mesmo, e os móveis eram praticamente empilhados um em cima do outro. Na parede, uma luminária pendurada pelos fios indicava um certo descaso com a manutenção. O cofre e o controle remoto da TV não funcionavam. Mas pelo menos havia dois travesseiros adicionais no pequeno guarda roupa, além de um frigo-bar mal equipado, porém operante.

Já tinha sido avisado sobre a falta de porta do box do banheiro por um dos críticos do site de reservas, mas na realidade, este foi a melhor surpresa do quarto, diria que do hotel. Obviamente tinha sido recentemente reformado, e tudo funcionava sem problemas. Simplesmente destoava do quarto.

A prometida vista da Torre Eiffel era real, e o melhor de tudo é que apesar do check-in às 2 da tarde, nos deixaram entrar no quarto às 11 e pouco, logo que chegamos. O pessoal do hotel também era muito atencioso, incluindo um recepcionista da noite que arranhava bem o português e reclamava das mulheres francesas, que chamou de complicadas. O único problema na recepção foi um belga super bêbado que insistiu que eu não era brasileiro, e sim dinamarquês, e quase briga comigo. E acabou me chamando de euro trash quando disse que gostava de automobilismo. Merecia um pé na orelha, mas não sou de briga.

O que importa é que a cama era gostosa, não fomos visitados por nenhuma fauna visível, e que fora dos recônditos do hotel Derby Paris é simplesmente maravilhosa.

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Impressões de Paris, Não despreze o conhecimento da população

09/22/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Muitas vezes o turista quer dar uma de bonzão, como se conhecesse um local melhor do que aqueles que lá vivem só porque está cheio de livros turísticos. Nunca se deve desprezar o conhecimento da população local. Nunca.

Decidimos visitar Montmartre de metro. Tudo bem.

Descobrimos que a estação era Abess. Tudo bem.

Chegamos de trem na estação sem problema. Tudo bem.

Ao adentrarmos a escadaria da saída, havia um elevador com muitos franceses na fila. Eu e minha esposa não titubeamos. "Bando da franceses frouxos", certamente pensamos. Vamos subir a escadaria. TUDO MAL!!!!

No meio do caminho me recordei que Montmarte é o ponto mais alto de Paris. Ou seja, o metro não é mais profundo ali, mas a rua fica num local muito alto! A escadaria não terminava. Inúmeras vezes pensei em desistir, morrer a apodrecer ali, uma morte inglória na escada, que se não era tão alta como a da Torre Eiffel, chegava perto.

Sempre achei que devemos pagar pelos nossos erros, e minha punição foi chegar até o topo da estação, no mesmo dia e sem auxílio de paramédicos, em vez de voltar e tomar o elevador.

Uma vez fora da estação, fiquei um pouco perdido para achar o Museu do Salvador Dali, que tanto queria ver, mas meu GPS interno é razoável. O único problema é que tive que enfrentar outra longa escadaria.

Depois de satisfazer minha curiosidade artística e de finalmente comer um cassoulet, recusei uma visita a Sacre Couer. Juro que teria um ataque se me deparasse com outra longa escadaria. A opção melhor foi passear num simpático trenzinho, que nos levou a Pigalle, terra firme - ou baixa, ou quem sabe, baixaria, como queiram.

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Impressões de Paris II - a Coincidência

09/19/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Adoram dizer que todo francês é antipático, que maltrata os turistas, etc. O que vi em Paris 2009 é exatamente o contrário. Em todos os lugares que entrei, era atendido com um sorridente bonjour, ao passo que nos EUA, ouvir good morning ou good afternoon é uma grande raridade. Até mesmo no supostamente simpático Brasil, cumprimentar uma pessoa na chegada é uma exceção, e não a regra.

Ocorre que eu e minha esposa falamos francês, e isso faz toda diferença. Temos que entender que até alguns anos atrás o francês, e não o inglês, era o idioma internacional, idioma que unia a diplomacia, cultura e nobreza do mundo, a até mesmo o mundo dos negócios. Falava-se francês não somente na corte brasileira, como até na corte inglesa, em Londres, berço da língua que superou o idioma gálico. Ou seja, existe um pouco de ressentimento, principalmente em relação aqueles que procuram falar inglês na França. Para mim, isto é normal.

Vez por outra, aparecia algum garçom ou lojista mal humorado. Encontramos um no primeiro lugar em que comemos, um café do outro lado da rua do museu do Rodin. O cara simplesmente está de mal com a vida.

Ás vezes aparecia um mais sarcástico, e num caso, um piadista.

Era aniversário da minha esposa, e queria ir a um restaurante diferente. Achei um que supostamente servia cassoulet, e fomos para lá, em St. Germain. Logo de cara o garçom começou com piadinhas. Não sou de engrossar, mas estava começando a ficar incomodado. O cara era um pouco espaçoso para meu gosto.

No meio das piadas, descobriu que somos brasileiros. Daí veio a pergunta inevitável, em que cidade vocês vivem. Dissemos que não moramos no Brasil, e sim em Miami Beach.

Surpresa das surpresas, o garçom nos diz que seu irmão também mora em Miami Beach, e começa a escrever o endereço. O irmão mora no número 920 da nossa rua, e nós moramos no 900. O irmão do espaçoso garçom é nosso vizinho!!

Bastou para superar a má impressão inicial. Ficamos de procurar seu irmão, e o garçom até nos ofereceu alugar seu apartamento parisiense por um mês, por 1000 euros!

Dica, se quiser visitar Paris, aprenda pelo menos o básico em francês. Vale a pena.

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Impressões sobre Paris, os Táxis

09/11/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Aqui nos EUA, onde vivo há 33 anos, estamos acostumados com uma dieta quase homogênea de táxis Chevrolets e Fords. Quando cheguei ainda havia muitos Checkers em circulação, aqueles carros grandões com aparência de anos 50, construídos especificamente para ser usados como taxis, mas durante os anos 90 estes desapareceram completamente das ruas de Nova York.

Nessa mesma década, apareceram alguns Peugeot diesel, e me lembro de ter visto até mesmo um Mercedes Diesel nas ruas de Nova York.

Hoje existe um pouquinho mais de diversidade em Manhattan, com alguns SUV de marcas diferentes, inclusive Honda e Toyota, mas a grande maioria dos taxis da grande cidade, e por que não dizer, de Miami e do resto do país também, são Chevrolets e Fords.

Aqui já começa a grande diferença de Paris. Antigamente, quase todos os taxis da cidade eram Mercedes, Citroen e Peugeots grandes, até porque poucos eram os fabricantes europeus que faziam carros de porte grande. Mas em 2009 a variedade dos taxis em Paris é facilmente detectável até por aqueles que não são muito apaixonados por carros.

Na minha recente viagem à cidade, pessoalmente vi taxis das seguintes marcas: Peugeot, Citroen, Renault, Mercedes-Benz, Audi, BMW, Opel, VW, Volvo, Fiat, Skoda, Honda, Mitsubishi, Toyota, Mazda, Honda, Hyundai, Chevrolet e Chrysler. Ou seja, carros franceses, alemães, italianos, suecos, coreanos, japoneses, tchecos e americanos. Acho que vi um SEAT espanhol, mas não tenho certeza. Curiosamente, nenhum Ford.

Havia taxis sedãs, SUVs, peruas e vans, de tamanhos e modelos diferentes. Andar de taxi em Paris lhe dá a oportunidade de fazer um test drive (como passageiro, é claro) de uma ampla gama de carros, e se tiver sorte, andar em carros de alto luxo como BMW, Mercedes e Audi.

A grande surpresa foi ver (e andar) em um Chrysler americano usado como taxi. Foi uma boa experiência.

Quando ao estado dos carros, são muito mais limpos e cheirosos do que os carros americanos. Acho que nos EUA as frotas utilizam seus carros 24 horas por dia, 7 dias por semana, o que não dá chance de mante-los limpos. Depois dizem que o francês não toma banho...Sei não...

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Indústria cinematográfica

08/19/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Minha primeira experiência profissional com a indústria cinematográfica não foi positiva.

Era o ano de 1989.

Tinha dado aulas de português a uma diretora de cinema americana, e um belo dia seu assistente me liga, solicitando serviços de tradução. Conversei com ela. Disse que tinha rodado um documentário no Brasil, e precisava de horas e horas de fitas de entrevistas transcritas e traduzidas. Disse que tinha pouquíssima verba. Pois bem, como já a conhecia, simpatizava com a causa, topei fazer o serviço por somente $1.200 dólares, de graça, basicamente, contanto que desse crédito da minha participação no filme, que supostamente seria exibido na TV americana. Não fiz isso por vaidade, mas para ter currículo.

Quase fiquei louco. Os entrevistados eram seringueiros que falavam algo que parecia português, misturado com silvos e grunhidos, horas e mais horas deste áudio-sofrimento. Ainda estávamos na era analógica, mas como eu tinha um gravador semi-profissional, consegui eliminar ruídos com um equalizador e diminuir a velocidade da fala, pois os caras não só falavam um idioma do outro planeta, como o faziam a uma velocidade de invejar qualquer locutor de futebol.

Logo a diretora e seu algoz começaram a me encher, pedindo a tradução, pois tinham pouco prazo, blá, blá, blá. Passaram-se semanas de muita dificuldade, pois tinha outros clientes a atender. Depois de muito sofrimento, entreguei o produto final.

Quando ficou pronto o documentário, a grande surpresa. Todo mundo levou créditos, menos o otário aqui. O narrador do documentário nem brasileiro era, e tinha a língua um pouco presa. Ganhou a mesma coisa que eu, trabalhando um ou dois dias, enquanto sofri semanas.

Logo descobri que locutor é talento, tradutor, não. Até o algozinho eaparecia como assistente de produção...

Incidentalmente, o texto das minhas traduções estava quase intacto, fizeram pouca edição.

Com isso aprendi uma dura lição - nesse setor, tudo tem que ser posto no papel. Se não estiver no papel, não existe.

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Viagem de ônibus

08/17/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Sempre gostei de ônibus. Acho que um dos sonhos da minha infância era ter uma frota de ônibus um dia. Não consegui em escala real, mas tenho frotas grandes nas escalas 1/76 e 1/87.

Aqui nos Estados Unidos não é a mesma coisa. São poucas as viações, e na realidade quase não se viaja de ônibus. Os Greyhound quase monopolizam o serviço interestadual e não tem muita graça. No Brasil há muitas empresas, esquemas visuais bonitos, e tem-se a impressão de que as companhias concorrem com qualidade para alcançar a preferência do consumidor.

Nestes muitos anos que estive aqui, só consegui fazer uma ou outra viagem ao litoral paulista, e uma desastrada viagem entre o Rio a Paraty, quando o ònibus quebrou no meio do caminho. Geralmente tinha pouco tempo quando viajava ao Brasil, e o avião era sempre o modo de transporte escolhido.

Na minha última viagem tinha tempo suficiente para encarar uma viagem de ônibus para Curitiba. Muitos familiares me chamaram de louco, disseram que era a rodovia da morte, etc. Achei um pouco de exagero e levei à frente meu projeto.

Nunca tinha ido à Rodoviária do Tietê e fiquei bem impressionado. Limpa, espaçosa, com bom comércio e serviços, e aparentemente, bastante segura. Fiquei impressionado com o número de guichês de empresas e com a boa condição e limpeza de todos os carros que chegavam, de empresas grandes ou pequenas.

Acabei escolhendo um leito da Cometa, embora o horário de partida fosse meio-dia. Queria ver como era o esquema. O carro chegou e partiu no horário, e as acomodações eram excelentes. Eu era o único mané do leito diurno, mas me senti viajando de primeira. Tinha que aproveitar, pois alguns dias depois viajaria esmagado num Airbus da TAM para Miami.

A viagem foi muito tranquila. Sim, a estrada tinha alguns trechos que pareciam perigosos, mas nada se comparava à estrada que liga Taubaté a Caraguatatuba. Essa sim me causava palpitações extremas. O veículo foi conduzido com segurança durante o trajeto inteiro, a além disso, era domingo, havia poucos caminhões na estrada.

A parada no meio do caminho foi maravilhosa. Nunca tinha visto um restaurante de estrada tão bom, e as lojas também eram muito boas. Comprei um inusitado DV sobre Fórmula 1 lá. Comi alguma coisinha ligeira e continuamos.

A rodoviária de Curitiba não é lá essas coisas. Perde de 5 a 1 para a de São Paulo. Pequenina, parece um pouco desprotegida, embora Curitiba seja uma cidade mais segura que a Paulicéia.

A viagem da volta foi feita em ônibus também. Dessa vez não viajei em leito, e grande parte do percurso foi feito à noite. A viagem foi tranquila e confesso que só fiquei preocupado quando o ônibus entrou em São Paulo. Ali parecia estar numa velocidade acima do recomendável.

A experiência foi boa e será repetida. Não sei se teria coragem de ir de ônibus para Teresina ou Manaus, mas até Brasília, quem sabe eu encare.

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Histórias de Nova York

07/08/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

No começo dos anos 80 trabalhei na Embratur em Nova York. Ossos do ofício, vez por outra aparecia algum figuraço que acabara de descobrir o Brasil, se apaixonara pelo país, e queria fazer uma fundação, escrever um livro, fazer uma festa, programa de TV, uma exposição, enfim, queria divulgar o país a todo custo. Já que estávamos lá para isso, dávamos um cartaz aqui, uns folhetos acolá, emprestávamos uma fitas de videos turísticos caindo aos pedaços e ouvíamos o que os sujeitos tinham a dizer.

Apareceu uma vez um empertigado homem com um cartão no qual alegava ser PhD, presidente do Conselho de uma fundação de arte. Tinha um vozeirão daqueles de dar gosto, era todo empombado, metido a besta mesmo. Pois bem, foi lá no escritório algumas vezes, só que nenhum dos seus projetos saía do papel, apesar do timbre que enumerava algumas pessoas importantes no mundo artístico como membros do seu Conselho. Como não era o primeiro nem o último a falar muito e fazer pouco, não fiz muito caso desse fato.

Um belo dia me liga o Richard, era esse seu nome, com seu vozeirão radiofônico, me convidando para uma festa no seu apartamento. Disse que era "black-tie". Como eu demonstrasse alguma hesitação em alugar um smoking para ir à sua festa, disse que eu podia vir de qualquer jeito, que minha presença era importante, etc, etc. Pensei, não tenho nada para fazer, vou lá, de repente faço alguns contatos interessantes com os amigos do mr. Black-Tie, coisa pro futuro, né.

Pelo endereço, o apartamento não devia ser lá essa coisa. De fato, não combinava com uma fundação de arte, PhD e o empombado vozeirão, muito menos com affairs a black-tie.

Ao chegar no local, já fui me preparando para algo muito exótico, mas nunca a pequena espelunca que se apresentou perante meus olhos, com miríades de tralhas étnicas penduradas na parede. Realmente havia a festa, mas a única pessoa de black-tie ali era o meu anfitrião, que não perdeu a pose. Me abraçou e acolheu como se eu tivesse chegado num castelo ou na entrega do Oscar. E o pessoal da festa era pra lá de cafona, feio e desinteressante, só não vou exagerar e dizer que tinha gente até dormindo, por que não sou dado a exageros.

Mais engraçado ainda é que lá estava uma amiga minha, que eu não tinha ideia que conhecia o poderosíssimo, e me olhou um pouco acanhada, pois ela foi a única que caiu no conto e veio com um vestido longo de festa, como se o evento fosse ao Hotel Plaza, sob flashes de muitos paparazzi.

Não foi uma perda de tempo por que me divirto à beça com mais essa história de Nova York até hoje.

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Burrices publicitárias

05/04/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Confesso que às vezes fico pensando no que se passa na mente de publicitários. Muitas das campanhas atuais em vez de alavancar vendas são verdadeiras ferramentas anti-comerciais, que frequentemente prejudicam os anunciantes, em vez de ajuda-los.

Refiro-me à veiculação de uma propaganda de mal gosto da Nike. Não sei qual foi a agência que criou o anúncio, mas merece um prêmio de incompetência.

Na peça em questão aparece um peixe embrulhado em um jornal que anuncia a vitória do Corinthians no Campeonato Paulista. Foi a "singela" e "elegante" forma da empresa comemorar a vitória do seu patrocinado no torneio.

Obviamente, os torcedores santistas que viram o anúncio ficaram incensados e ofendidos. Inclusive eu.

Já é um pouco duro engolir a questão de patrocínio em alguns casos. Quando uma empresa patrocina um time, por bem por mal está fazendo uma opção, excluindo outros clubes. Isto obviamente cria um certo mal estar entre torcedores dos times que não contam com as benesses financeiras de determinado patrocinador. Eu, por exemplo, sou conveniado da Medial, e admito que fico bastante contrariado com o fato da empresa jogar milhões de dólares no Corinthians enquanto tem prestado serviços com padrão cada vez pior, sem contar a merreca que pagam aos médicos conveniados. Querendo ou não, sinto que muitos reais que pago anualmente terminam no Parque São Jorge, quando deveriam ser aplicados nos serviços que me são prestados, e na remuneração digna dos prestadores de serviço. Pelo menos a Medial respeita os torcedores do Santos e de outros times.

Agora, a "genial" peça publicitária da Nike simplesmente diz, para os torcedores do Santos, "não estamos nem aí para você, queremos é vender tênis só para corinthianos". Esse tipo de partidarismo por parte de uma empresa pode ser fatal, além de ser extremamente anti-comercial - sem contar que reduz a custosa publicidade a uma conversa de botequim do mais baixo calão. Como a memória de muita gente é fraca, não acho que a Nike vai falir no Brasil por causa disso, mas com certeza vai deixar de vender alguns milhares de pares de tênis nos próximos meses. E no fim das contas, muita gente que comprava seus produtos, nunca mais vai compra-los.

Se eu fosse diretor da Nike não só demitiria a agência de publicidade que criou o "brilhante" anúncio, como também o seu funcionário que aprovou a peça. E por fim, veicularia um anúncio pedindo desculpas aos santistas. Diga-se de passagem, é uma torcida grande, muitos pés para calçar. Não estamos falando do Juventus da Rua Javari.

Quanto a mim, não precisam de preocupar. Nunca comprei nenhum produto da Nike, simplesmente permanece o status quo.

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Cansei de corrigir

04/17/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Normalmente, sempre que via algo de errado no site da Folhaonline, enviava um email informando o lapso. Entendo que por tentar fazer um jornal em "tempo real", muitas vezes ocorram lapsos, e achava simpática e humilde a iniciativa do jornal, de contar com a cooperação dos leitores. Achava até que as contribuições eram apreciadas.

De uns tempos para cá, parece que mudou um pouco a atitude, e óbvios erros são rebatidos com comentários até pernósticos, sem contar que os equívocos não são corrigidos.

Como forma de protesto a isso e à excessiva cobertura dada à chatíssima cantora Madonna, que aparece na página inicial do site quase diariamente, não vou vai mais colaborar.

Pronto, não vou mais perder meu tempo. Que fiquem ali os erros, perderam um colaborador.

Antes que me esqueça, a Holden e Vauxhall são marcas da GM.

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Otoridade

03/30/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Outro dia escrevi no meu blog de automobilismo sobre as "otoridades" do Brasil.

Lembro-me que há muitos anos atrás, mais precisamente há 17 anos, um deputado federal entrou no meu escritório em NY, identificando-se ao entrar. Queria que eu parasse tudo que estava fazendo para fazer uma tradução curta IMEDIATAMENTE. Disse-lhe que estava ocupado, dei-lhe o preço para traduzir o texto, e falei que, se quisesse, poderia pegar no dia seguinte a tradução. Foi embora.

Uns 10 minutos depois voltou. Aí me ofereceu o dobro do que cobrava. Aceitei fazer o serviço, pois aí comercialmente valia a pena.

O deputado não ficou ofendido, muito pelo contrário, o livrei de um dispêndio muito grande, por ter identificado uma coisa "estranha" no seu documento e lhe fiz uma indicação chave.

Eliana Tranchesi obviamente não deve estar na lista de predileções de muita gente. A sua loja, que vende Tranqueiras de luxo, obviamente perturba muita gente. Gente que gostaria de comprar lá por causa do status e não pode, e outros que gostariam de obter algum tipo de facilidade, favor, mimos, deduções, descontos, por causa de carteiradas. E que tiveram seu prestígio e otoridade minimizada, refutada ou desdenhada.

Pode ser que Tranchesi e as suas Trancheiras não tiveram a mesma sorte que eu, que educadamente me recusei a me submeter à "otoridade" do deputado, até por que o mesmo pouco ou nada podia fazer contra a minha pessoa.

Quem sabe isso explique um pouco a excessiva sentença contra a comerciante.

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TIJOLINHO

03/30/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

“Você é o meu amorzinho

Você é o meu amorzão

Você é o tijolinho

Que faltava na minha construção”


Esse portento da literatura brasileira era parte de uma letra de uma música de jovem guarda, dos anos 60. O cantor, não me lembro (Ainda bem!!!). Fico pasmo como alguém teve o descaramento de escrever isso, pior ainda, conseguiu convencer alguém a gravar e lançar o disco, e muito pior ainda, convencer o público a gastar dinheiro para comprar o disco, pois acho que a música fez algum sucesso! O recurso mais pobre de um poeta é rimar diminutivos ou aumentativos. O “autor” do Tijolinho conseguiu fazer as duas coisas, no estribilho desta jóia da MPB. Este aprendiz de Castro Alves também não era lá essas coisas com analogias. O sujeito que compara sua amada à um tijolo deve ser louco; certamente está pedindo para levar uma tijolada. Muitas vezes, a letrinha fraca é compensada por uma musicalidade arrojada e diferente. Só que o acompanhamento musical era um mero falacadum básico.

Com a vinda do AI-5 e a ferrenha censura, os compositores brasileiros se viram forçados a escrever letras elaboradas e bonitas, muitas vezes escondendo coisas que não podiam ser ditas literalmente. Nesta época criaram-se verdadeiras obras-primas da poesia, como Construção, de Chico Buarque de Holanda. E diversos compositores passaram a usar os recursos poéticos de autores como Fausto Nilo, Paulo Leminsky, Béu Machado e Antonio Risério.

Infelizmente, a qualidade lírica das músicas brasileiras piorou muito, desde qua acabou a censura, e fica cada vez pior. A liberdade deu vazão à libertinagem, e hoje é muito difícil encontrar uma letra de alta qualidade poética.
O tijolinho ainda continua dando muita tijolada nos ouvidos dos brasileiros.

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Presente machadiano ou literatura interativa

03/28/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Quem diria, Machado de Assis, o grande Machado que muitos, inclusive eu, consideram o maior escritor brasileiro da história nos deixou um presente, além da sua magnifíca obra. Quer dizer, foi Dom Casmurro, seu personagem que nos deixou esse presente. Mais do que isso, foi uma oportunidade, um convite, uma verdadeira convocação para participar da sua obra interativamente.

Pois DC, o principal personagem do romance homônimo um belo dia resolveu escrever um soneto. Do nada. Começou construindo o primeiro verso, e aí decidiu escrever o décimo-quarto. O primeiro verso era assim:

Oh! Flor do céu! oh! flor cândida e pura

E o último seria:

Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

Após momentos de reflexão, o amigo de Capitu resolveu mudar o último verso para o contrário, ou seja:

Ganha-se a vida, perde-se a batalha!

O personagem se perdeu no seu ímpeto literário, e com duas idéias contrárias complicou-se. Não escreveu os outros doze versos, seja numa versão, ou na outra. Por fim, nos convida a preencher o miolo.

Obviamente muitos tentaram a empreitada, só não sei se alguém teve coragem de publicar o resultado. Confesso que cheguei a pensar no assunto. Daí me lembrei de que todas as vezes que tentei criar ao modo do Dom Casmurro, me dei mal. Sempre que decidi que ia compor uma música, escrever um texto ou fazer um desenho sem inspiração, mas por pura vontade de fazer algo, o resultado foi terrível. Na realidade, zero.

Quem sabe seja artista, e não artesão.

Imagino que existam aqueles que dominam sobremaneira a técnica do escrever que conseguiriam, num átimo, criar doze versos para uma, ou quem sabe mesmo, para as duas versões antagônicas do soneto na mais perfeita métrica, quem sabe emulando inspiração genuína. Ou até mesmo quem tenha se inspirado pelos dois ou três versos.

Agradeço ao Machado pelo gentil convite, mas fica para a próxima. Quem sabe um dia desses eu tenha inspiração.

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Enquanto o mundo colapsa...

03/27/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Curiosamente nenhum setor foi mais prejudicado pela tecnologia da informação do que a mídia, justo o setor que achava que expandiria seu poder com o progresso tecnológico. Há quinze anos atrás, só teria leitores dos meus textos aos milhares, em sonhos. Hoje é uma realidade. Não que eu ganhe algum dinheiro com isso, somente satisfação. E eis aqui a chave do problema.

Não tenho idéia de quantos blogs existem no mundo atualmente. Só numa das áreas em que me especializo, automobilismo brasileiro, o número tem proliferado sobremaneira no último ano. Eu mesmo não tinha um blog há dois anos atrás, mas sim um site estático que tratava do assunto. Sou um dos "veteranos" e estou no ar há seis anos.

O meu blog faz parte, essencialmente, da nova mídia. Não tenho compromissos com patrocinadores, compromissos políticos, nem editores para vetar o que digo, o que me dá muita liberdade. Escrevo quando quero e posso, e não tenho obrigação de publicar comentários de ninguém. Multiplique o meu blog, que recebe dezenas de milhares de visitas por mês, por outras centenas de milhares de blogs no mundo afora, e vemos que a mídia tradicional tem um problema sério, essencialmente o público que iria para eles está indo para a nova mídia.

A minha revista semanal predileta nos EUA, a US News and World Report, virou mensal. Da noite para o dia. Um jornal diário de Seattle parou de publicar o jornal de papel, só existe online, e mandou para a rua a grande maioria dos seus jornalistas. Só ficou com vinte.

Por isso dá para entender por que a mídia tradicional tem que apelar, para manter leitores. Um dos principais sites de jornal do Brasil (que não vou mencionar, para não envergonhá-los) brindou seus leitores, hoje, com detalhes sobre a falta de indumentária da apresentadora Xuxa ao dormir (e sua crença em duendes) e a iniciação sexual do Pelé, segundo seu desafeto Maradona. Mas não é só hoje, o besteirol rola direto, diariamente. O BBB recebe mais cobertura que o PCC e o PMDB e a CNBB, pois os jornais têm que competir com os sites de besteira e piada, com os blogs de automobilismo, blogs de fofoca, fotologs, sem contar os sites de relacionamento, aumentando o grau de alienação.

Infelizmente, quase tudo está nivelado por baixo. Bem por baixo.

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Brás, de Lourenço Diaféria

03/17/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Gostava de ler Diaféria na Folha, por isso fiquei bastante entusiasmado quando vi esse livro na Livraria Cultura. Nunca morei no Brás, mas meu pai morou lá quando pequenino e sempre tive um certo xodó pelo bairro.

Quando a gente compra um livro desse tipo, invariavelmente acha que vai se deparar com um "Retalhos da Velha São Paulo", de Geraldo Sesso, um gostoso livro que, aliás, é mencionado por Diaféria mais de uma vez. Entendam, não desgostei do livro, até porque tenho algumas coisas em comum com Diaféria.

Ao passo que o "Retalhos" é um livro 100% saudosista, o Brás de Diaféria é um livro de flashback. Ora fala do passado, ora do presente. Apesar de o bairro ainda manter resquícios do seu charme, grande parte deste se esvaiu com o passar dos anos, assim como a pujança, importância na economia e cultura da cidade a até mesmo área física perdida para a Móoca e Belém.

Assim, Diaféria alterna momentos de alegria com tristeza. Obviamente lhe faz mal até admitir que nasceu no Brás, dado o estado deplorável atual do bairro.

Escrever sobre a Vila Madalena, Tatuapé e Itaim Bibi deve ser bem mais fácil e divertido. Estes são bairros que melhoraram - hoje são chiques e relevantes, e no passado não passavam de meros pontos no mapa a ser sumariamente evitados. O autor de um livro sobre estes bairros certamente teria orgulho do seu status atual e facilidade para falar do passado. É sempre melhor falar de ascendência do que decadência.

Eu também sou de uma área que um dia foi nobre, os Campos Elíseos, e que hoje está além de decadente. Dá dó observar o comércio local completamente dilapidado, imóveis caindo aos pedaços e pouca perspectiva de melhora.

Assim o saudosismo de Diaféria se mistura com uma certa revolta, a vontade de contar as coisas do bairro com carinho acaba dando vazão ao cinismo e amargura, e o resultado é misto. Por isso mesmo chama o livro de desmemórias.

Apesar disso tudo, e quem sabe, por isso mesmo, o livro é interessante, e recomendo, pois traz muita história e estória de São Paulo. Além disso, Diaféria continua a ser um senhor cronista.

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Receita prepara emissão de CPF em tempo real e atualização pela internet

03/16/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Sou um cara com senso comunitário. Gosto quando as coisas são feitas para o bem público, não somente por que vão me dar alguma vantagem. Portanto fico feliz com a manchete de hoje na Internet.

Entretanto, para mim é um pouco difícil acreditar que isso será implementado num futuro muito próximo. Só eu sei o que passei em minha recente visita ao Brasil, quando tive que solicitar uma segunda via da minha carteira do CPF.

Perdi minha carteira original do CPF há longos 15 anos atrás. Como não moro no Brasil, não me preocupou muito o assunto. Ainda assim, fui à Receita Federal, lá por 1997, para solicitar a segunda via. Recusaram-se a me dar uma carteirinha, como se estivesse sendo castigado por ser um mau-menino-perdedor-de-carteirinhas, e me deram com muito mau humor um papel normal mulambento, impresso em impressora matricial, contendo um apagado carimbo da Receita. Diziam que era suficiente.

Recentemente tive que abrir uma conta no Brasil, e não pude sem ter a vulga carteirinha. O mulambento papel não mais servia para nada. Aí iniciou-se a minha peregrinação.

Só de Agências do Banco Brasil foram três visitadas. No mesmo escritório da Receita Federal que me deu o papel xexelento em 97, me disseram para ir ao Poupa Tempo da Sé. Surpreendentemente, considerando o infindo oceano de pessoas esperando assistência na repartição, o atendimento no Poupa Tempo é razoavelmente rápido. Só que lá voltei diversas vezes, pois cada um diz uma coisa. Taxas, bem, paguei duas. Também tive que ir à Justiça Eleitoral. Minha conta de taxi entre uma e outra repartição daria para comprar uma passagem de volta para Miami.

Em suma, é um pouco difícil, senão impossível, acreditar que alguma pessoa possa realmente obter um CPF ou atualização meramente na Internet, pois infelizmente os meandros legislativos brasileiros ainda são muitos e pulverizados, e há leis que para nada mais servem, mas aparentemente nâo foram revogadas.

Vou pensar positivo e torcer pelos meus hermanos brasileiros.

Só digo uma coisa. Vou trancar meu CPF a sete chaves, pois não quero eu ser cobaia deste novo progresso da sociedade brasileira nem a pau.

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Rico de papel - quase

03/11/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

No início da minha carreira tinha um cliente que administrava diversas empresas de mineração. Fiz muito trabalho para esse cliente, que me consta há um bom tempo falecido, cuja postura e voz retumbante eram impressionantes. Nas suas próprias palavras seria um homem "de gabarito", expressão que gostava de usar para descrever suas reuniões. Vejam só, um belo dia descobri que a sua empresa estava lançando ações na bolsa de Vancouver, no Canadá.

Eram outros tempos. Não existia Internet, e informações, principalmente as informações quentes, eram difíceis de descobrir. Quem as tinha não compartilhava com facilidade. Hoje em dia você pode ler tratados médicos e jurídicos online. Isso não faz de você um médico nem tampouco jurista, e é possível que não entenda nada, mas pelo menos você tem acesso às informações. Portanto, não era tanto ingenuidade, acho que era falta de informação mesmo. Muitas vezes dava-se grandes chutes fora e o aprendizado era dolorido.

Este cliente insista comigo que se soubesse de algum investidor, que me pagaria um "finder´s fee", ou seja, uma comissão sobre qualquer valor investido. Nada mais justo - e legal, também. Falava-se em investimentos em milhões de doletas nas Gerais.

Um belo dia, conversando com uma outra cliente que também trabalhava na área, esta mencionou ter um amigo com muito dinheiro para investir.

Marcou-se uma reunião "de gabarito". Falou-se muita coisa, foram mostradas fotos, muitas fotos. Meu cliente só mencionava os alvarás de lavra do DNPM, disponíveis em profusão, das vastas quantidades de ouro embaixo do solo, e de muito potencial, enquanto o "investidor" insistia em saber da capacidade operacional atual do grupo de empresas. Obviamente, havia um impasse. No final da reunião meu cliente me pegou de lado, e com ares conspiratórios corroborou que eu teria uma grande comissão - em ações da empresa!!!

Quem diria, eu um rico proprietário de ações de uma grande empresa de mineração.

A reunião não deu em nada. Ainda bem. Logo depois descobri que o grupo de empresas do meu cliente na realidade eram empresas de grupo, e que na época a Bolsa de Vancouver era conhecida pelo grande número de empresas de mineração fictícias ou de papel - na qual se enquadrava meu cliente.

Ou seja, quase caio num verdadeiro golpe e levo alguém comigo na maior inocência, sem saber. Se tivesse dado certo, o impressionante cliente do vozeirão teria desaparecido com a dinheirama do "investidor", que, diga-se de passagem, não parecia ter dinheiro, e eu teria ficado com um monte de papel que não valia absolutamente nada. Isso se não tivesse seguido o caminho do cemitério, cortesia do ludibriado financista. Grande livramento.

Em suma, aprendi na marra o que vem a ser a expressão "due dilligence".

Uma lição que deveria ser aprendida pela rapeize da Wall Street.

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Dando pérolas para porco

02/25/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

De modo geral gosto da cobertura da revista Eclesia. Entretanto, uma nota (na realidade reportagem de página inteira) publicada em uma recente edição me deixou perplexo.

Como leio diariamente a Folha online, é basicamente impossível não saber do paradeiro detalhado da cantora Madonna, frequente habitué da home page do site. Assim, mesmo sem querer, fiquei sabendo que a cinquentona "ficou" com um modelo do sexo masculino (é necessário frisar essas coisas, atualmente) brasileiro, de 22 aninhos, durante a sua tour pelas principais capitais brasileiras.

Foi através da Eclesia, entretanto, que fiquei sabendo que o modelo é filho de evangélicos, ou supostamente diz que é evangélico, isso não ficou muito claro. Como é difícil imaginar que o modelo e a crooner ficaram jogando video games, comendo pipoca e tomando Nescau juntos, só de mãozinha dada, não entendi qual foi o ponto da revista em frisar a origem ou associação religiosa do maneco.

Como a reportagem não editorializou o fato, algo tecnicamente louvável no jornalismo, resta ao leitor tirar suas próprias conclusões. Um jovem ainda incerto sobre o que vem a ser o Evangelho, e o que deve ou não fazer, pode chegar à conclusão de que o comportamento do modelo está certo, e que na realidade ele foi "abençoado" com o namorico com a ricaça, influente e famosa senhora Ciccone.

Se o comportamento do modelo é um "tristemunho", diria o mesmo da reportagem na forma apresentada. Esta deixou um grande ponto de interrogação na cabeça das pessoas, nada mais do que isso.

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As cidades

02/21/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Um dia estava eu seguindo num taxi pela Rua Bela Cintra, em direção à Praça da Sé, e o motorista observou a mudança de cuidado da prefeitura com a rua, à medida que nos aproximávamos do centro. Verdadeira guerra de classe. Basicamente o chofer disse que na área dos bacanas a rua era bem tratada, e na direção do centro era deixada a bel prazer. O próprio profissional observou, corretamente, que no lado dos Jardins o preço dos imóveis era mais caro, e que deixar as ruas caindo aos pedaços poderia acarretar a redução de valor dos bens.

Essa é uma forma de ver. Uma outra forma de encarar o assunto é que num local onde os imóveis são mais caros, a arrecadação de imposto predial é muito maior!!! Digamos que o taxista ralou anos para comprar sua própria licença e carro, e que a partir de hoje a prefeitura vai permitir que qualquer pessoa com um carro pegue passageiros na rua, cobrando pelo serviço, como se fosse um taxi. Obviamente, ele iria chiar. Ou seja, num lugar em que a arrecadação tributária é maior, faz até sentido que a prefeitura cuide mais da via pública. Como faz sentido que a prefeitura proteja o investimento do taxista!!!

Na realidade, dizer que a prefeitura cuida tanto assim dos Jardins é uma falácia. Um número imenso de ruas do bairro necessita semáforos que não são colocados pelo governo. Dizem que a Regis Bittencourt é a rodovia da morte, mas juro que me senti mais seguro nela do que nos cruzamentos da Alameda Tietê com a Consolação e a Haddock Lobo. O pessoal vem embalado nessas ruas - carros, caminhões, motos e bicicletas, sem a mínima intenção de parar ou diminuir a marcha no cruzamento, e é só por milagre que não ocorrem acidentes diários nas ruas do bairro chique.

Está na hora da prefeitura colocar a mão no bolso. Afinal de contas, não são só os chiques que trafegam por essas ruas. Se a intenção é não colocar mais lenha nessa 'guerra de classes', devemos lembrar que inúmeras pessoas mais humildes trafegam por essas ruas também - motoristas profissionais, inclusive taxistas, motoboys, entregadores de produtos, encanadores, prestadores de serviço, etc. E muitos outros tentam atravessa-las a pé, inclusive idosos, crianças e empregadas domésticas. Todos estão em perigo.

Com relação a Curitiba, me parece que a prefeitura tem que urgentemente aumentar o número de taxis na cidade. Supostamente são só 2000 desde 1974! Curitiba de 1974 era uma coisa, em 2009 outra. Mal haviam hotéis na cidade há 35 anos atrás, não se realizavam eventos ali e poucos executivos viajavam para o município. Hoje Curitiba é um importante polo de eventos. O número de hotéis de bom nível prolifera na cidade - cada vez que passo por lá há hotéis novos. Entretanto, se a cidade quer competir com São Paulo na área de eventos, terá que expandir sua frota de taxis, urgentemente. Esse negócio de tomar "ônibus de primeiro mundo" é papo furado. São poucos os forasteiros que se aventuram.

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Carrinho de pipoca

02/19/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Gosto tanto de pipoca que uma parte fundamental das minhas idas ao cinema, apesar do meu entusiasmo pela sétima arte, é a pipoca. Perdoem-me os puristas. Isto nos Estados Unidos significa literalmente um balde de pipoca. Alguns cinemas têm maneirado, fazendo um downgrade do indecente balde para um saco de papel, que em termos volumétricos não fica devendo muito à embalagem mais firme.

Realmente o balde de pipoca é o cúmulo do consumismo americano. Às vezes saio do cinema sem condições de ter outra refeição durante alguns dias, sem contar que o sal é suficiente para preservar um bacalhau ou pirarucu de bom tamanho.

Quando iniciei a quinta série no Colégio Macedo Soares, em 1971, havia na frente da escola um sorridente homem com seu humilde carrinho de pipoca, servindo mais civilizados saquinhos para a gurizada, que, alegre e barulhenta, fazia fila esperando a guloseima. A pipoca era feita fresquinha, na hora, e eram dias felizes e lucrativos para aquele moço.

Daí, um belo dia surgiu um carrinho de sorvete. Pouco a pouco o sorriso foi se esvaindo do semblante daquele homem. Nos anos 70, muitas mães insistiam em não dar coisas geladas para seus filhos o tempo todo, assim que o sorvete, mesmo o picolé, tinha lá seu gosto de coisa proibida. Freud explica. O Ibope do pipoqueiro foi diminuindo à medida que aumentava a fila na frente do carrinho da Kibon. Lembro que um belo dia a criançada comemorava com desespero a chegada um tanto atrasada dos picolés, e o pipoqueiro falou, um pouco sem jeito, "mas tem a pipoca também, gente".

Fui sensível para notar isso, mas continuei mandando ver nos picolés de chocolate e limão, de longe meus prediletos. Bolso de ginasiano não dava para financiar pipoca e picolé, é um ou outro. A memória me trai e não sei que destino teve o pipoqueiro, deve ter abandonado aquela pequena guerra varejista derrotado.

Ontem estive próximo do colégio, e decidi arriscar uma visita superficial. A vizinhança mudou bastante, com alguns prédios bonitos que não combinam muito com as baixas edificações mais antigas. Lá ainda estava o belo e reformado Theatro São Pedro, um dos mais velhos de Sampa. O Pronto Socorro da Barra Funda há muito demolido, basicamente a única coisa que me parece plenamente familiar é o Macedão. O prédio poderia estar melhor, mas também, poderia estar caindo aos pedaços como o castelinho da Rua Apa. Pelo menos ainda existe.

Qual não foi a minha surpresa ao ver, na frente da escola, um solitário carrinho de pipoca, com uma sorridente pipoqueira servindo um bom número de clientes. Podem dizer que é sentimentalismo barato de um saudosista ou sonhador, mas juro, ou gostaria de jurar, que era o mesmo carrinho daquele choroso pipoqueiro de 1971! Quem sabe, a neta herdou o carrinho, e triunfou sobre o sorveteiro. A justiça tarda mas um dia prevalece.

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Papos de Taxi

02/17/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Nesta minha estadia no Brasil tive que andar muito de táxi. Diversos problemas para resolver, médicos, pessoas para ver. Espero brevemente receber um prêmio do sindicato de taxistas de SP, por ter batido algum tipo de recorde mensal. Também devo ter batido o recorde de meio-dia em Curitiba.

Gosto de conversar com taxistas, e eles, por outro lado também admiram uma boa prosa. Ajuda a passar o tédio de horas ao volante ou esperando clientes nos pontos. Frequentemente, acha-se verdadeiras figuras carimbadas, jóias da poesia popular por trás do volante dos carros.

Hoje fui transportado por um senhor que diz estar na praça há 52 anos. Disse que já dirigiu de tudo, mas que começou com um Chevrolet 1940, que só veio abandonar em 1969. Dirigiu o carro por onze longos anos!!! Sim, os carros daquela época duravam 11 anos até na praça. Depois disso foi para um Fusca, o que deve ter sido um tremendo choque. Disse que não "sentia o carro". Falamos sobre os bondes camarão de SP, dos verdes bondes abertos de Santos, por um momento não acreditou que eu me lembrava dos bondes. Não sou tão veterano como ele, mas já estou com um superavit de primaveras no meu CV. De qualquer forma, aceitei o elogio, que na minha idade se torna coisa rara.

Depois teve um outro cujo cartão de visitas tinha uma foto de Michael Schumacher. Lindo o cartão. O chofer está terminando o curso de propaganda, e já pôs em prática os seus conhecimentos no seu dia a dia. Conversamos bastante, sobre uma vasta gama de assuntos, mas ele mesmo admitiu, com uma desconcertante sinceridade, que não tem um bom senso de direção. Resultado - deu uma bela volta e a corrida saiu o dobro do que devia. Queria me levar para o aeroporto, mas fico com medo de parar no Galeão.

Há também um senhor de uma certa idade no ponto ao lado do prédio onde estou hospedado, com um impecável português. Procura enunciar as palavras com rara perfeição, e recebe os passageiros no seu veículo como se estivesse recebendo a Rainha Elizabeth. Um primor, um lorde.

Peguei um motorista de Sergipe duas vezes, e desandamos a discutir as coisas do Nordeste. Primeiro falamos das cidades, das praias, da economia do seu Estado natal, de rivalidades regionais e coisas desse tipo. Na segunda corrida o papo foi para o lado das motocicletas. Disse-lhe então que estava genuinamente preocupado, pois tinha ouvido dizer que estavam matando os jeguinhos no Nordeste, e substituindo-os por motos. E ainda por cima, que muitos dos outrora companheiros estavam virando mortadela. O papo rendeu. Disse que não era bem assim, que os jegues estavam sendo postos de lado sim, mas que não viravam embutidos com tanta facilidade. Falou-me sobre a diferença entre o jegue e o burro, ressaltando, enfaticamente, que a mula é "estérica". Discorreu sobre a eficiência do nobre animal, e no fim, lembrou-se de um jeguinho da sua família, que trabalhava como dez homens. Juro que ele estava quase engasgando de emoção ao lembrar do nobre animal.

Ah, como gosto de conversar com os motoristas de taxi...

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Homenagem aos mortos

02/17/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Sempre achei engraçado quando as pessoas batem palmas, efusivamente, quando um avião pousa bem. Para mim, é como fazer homenagem aos mortos. Muito bonito, só que o homenageado nunca vai ficar sabendo da homenagem. Afinal de contas, o piloto está lá na frente, trancado no cockpit do avião, compenetrado, com as portas fechadinhas da silva.

Ou será que os mais vaidosos tem uma camerazinha na área de passageiros, para se deliciar com os aplausos?

Pensando bem, acho uma coisa bem intencionada, mas meio cafona. Meio assim como ser fã do Sidnei Magal.

Por questão de justiça, o piloto deveria então ser vaiado quando faz aqueles pousos melequentos.

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Ambulâncias

02/12/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Quando saí do Brasil, em 1976, a grande maioria das ambulâncias eram Kombis. Havia ainda um número razoável de Chevrolet Amazonas, além de Veraneios e Ford F-100. Em contrapartida, nos Estados Unidos as ambulâncias eram geralmente Cadillacs adaptados, assim como os carros de funerárias.

Com o passar to tempo as ambulâncias foram ficando imensas nos EUA, ao passo que no Brasil foram diminuindo. Sim, hoje em dia há alguns furgões grandes, e vistosas UTI móveis dos planos médicos como a Medial (mas será que tambem é preciso esperar 4 dias para uma senha, para obter uma remoção?). Em Miami, onde moro atualmente, há ambulâncias do Corpo de Bombeiros instaladas em gigantescos caminhões. Acho que é para justificar os 2 paus que custam uma remoção.

Quanto ao Brasil, as Kombi foram dando lugar às Caravans, e já cheguei a ver humildes FIATs Fiorinos e Chevroletzinhos em forma de ambulância. Que faria eu e meus 186 cm numa ambulância dessas? Iria uma metade minha numa viatura, e a outra metade num outro carro? Ou seria eu sumariamente dobrado ao meio? Ficaria com as pernas para fora, com uma bandeirinha vermelha pendurada nos pés? Curiosamente, as ambulâncias encurtaram á mesma medida que a estatura média dos brasileiros aumentou. Daqui a pouco vão usar motocicletas como ambulâncias, sabe, aquela caixinha de bagageiro atrás?

Durma-se com um barulho desses.

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Arqueologia doméstica

01/20/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Outro dia estava procurando um documento, e sem querer tive um daqueles raros achados arqueológicos domésticos. Já fui do tipo de guardar de tudo, parecia esquilo. Guardanapos e caixas de fósforo de restaurantes, cartõezinhos de hotel, cartões de embarque aéreo, etc. Com o passar do tempo, e com o espaço rareando, fui jogando muita coisa fora, inclusive cartas pessoais e outras memórias que não julguei essenciais. Hoje em dia guardo poucas coisas do passado.

Mas acabei achando este pequeno comprovante de um concerto do Yes, de trinta longos anos atrás.

Quanto ao concerto ser do Yes, tudo bem. O conjunto já existe há quarenta anos, afinal de contas. O mais notável de tudo é o preço. Em pleno Madison Square Garden de Nova York, meros 12 dólares! Hoje, com doze dólares vocë mal compra pipoca e uma coca aguada no cinema. Parei de ir a grandes concertos por que simplesmente achava um absurdo pagar 75 paus ou mais para ver um show de uma hora e meia.

No caso desse concerto de 1979, o show valeu a pena. Três horas, ou seja, 4 paus por hora!!! Quase de graça. E com Rick Wakeman e tudo. Não estou falando em duas horas de silicones madonísticos pululando ao som de baticuns sem imaginação - mas sim de música da mais alta qualidade, que até valeria os 600 paus que alguns manés pagaram para ver la Ciccone em Sampa.

Em suma, o grande problema é que os preços dos concertos pop aumentaram muito mais do que os salários da classe média que sustenta esse 'business' nos EUA. Sem querer fazer disso uma tese de economia, este é um dos problemas da economia atual. O zé povinho (Joe People por essas bandas) está ganhando cada vez menos e acaba se alavancando até o pescoço para manter o padrão do passado, o American way of life.

Uma hora até o Yes vai sentir no bolso.

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Msg

01/15/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Omg, lol. Imao C Ok? :-) ! :-X, %-) + :-( . IM off

Bjs

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!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

01/14/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

O jornalista Assis Chateaubriand não gostava de pontos de exclamação! Leram direito, Chateau tinha uma implicância tremenda, intestina, contra os pontos de exclamação!!!! A ponto de querer demitir or jornalistas que insistissem na prática!!!!!!!!!!!!!!!!

Coitado de mim se fosse jornalista dos Diários Associados!! Provavelmente durava uma semana no emprego!!! Isto é, se chegasse a ser contratado!!! Pois eu gosto dos pontos de exclamação!!! Considero-os uma excelente ferramenta de ênfase!

Ainda bem que o Chateau não é vivo hoje. Se ele não gostava dos pontos de exclamação, ninguém pode imaginar qual seria a sua reação aos EMOTICONS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Frustrações, decepções e cores

01/08/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Não fiquei decepcionado quando descobri que não existia Papai Noel. Na realidade nem me lembro de ter acreditado nisso. Mas a vida é repleta de frustrações e decepções. E de cores também.

Por exemplo:

Fiquei muito decepcionado quando descobri que aquelas simpáticas rodelinhas brancas no braço de uma guitarra ou violão não eram botões que podiam ser apertados. Ou então quando cai na real que a minha velha TV preto e branco não se tornaria a cores automaticamente. Continuar na pré-história televisiva doeu alguns anos. Ou então quando o Armando Marques erroneamente declarou o Santos campeão em 1973, contra a Portuguesa, que se miguelou e saiu fininho de campo. Depois dizem que português é burro...

Mas a pior decepção se deu em 1990, já adulto.

Consegui um fato inusitado. A revista Exame, não muito dada a promover negócios de pequenas empresas, publicou uma nota sobre o lançamento da minha Brazilian Yellow Pages com foto colorida e tudo. Só que dei um grande azar. A revista foi às bancas no mesmo dia em que o presidente Collorido confiscou a poupança do povaréu, de forma que meu triunfo editorial não teve repercussão alguma!!!

Voltei aos tempos de infância. Me senti apertando a rodelinha branca do violão sem qualquer efeito, esperando a TV ficar repentinamente colorida ou o time da verde e vermelha Portuguesa voltar ao campo...

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Figurinhas, botões e outras coisas

01/05/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Não era vidrado em figurinhas. Pelo menos não na maneira dos meus amigos. Estes gostavam de comprar figurinhas para 'bater' e trocar. Eu achava que se figurinhas faziam parte de álbuns, então este devia ser seu destino. Ponto final.

Tive alguns álbuns de figurinhas, principalmente os lançados pela Disney. Um deles, de automobilismo, acabou por me transformar em fanático pelo esporte.

Certa feita meu pai uma vez trouxe diversos álbuns, não sei de onde, e curti os mesmos durante um ano. Como quase todos pertences de uma criança, eventualmente foram pinchados no lixo.

Já um pouco mais crescido, meu irmão e eu nos apaixonamos pelo futebol de botão. Decidimos então formar diversos times. Meu mano resolveu ser mais conservador, e formou um Corinthians, um Santos, um Palmeiras. Acho que tinha um São Paulo também. Eu, como sempre, inventei moda.

Lá por 1970 ou 71 cairam na minha mão umas figurinhas autoadesivas impressas em papel fluorescente. Tinha figurinhas de carros, motivos psicodélicos e outras coisas, mas as que mais me chamaram atenção eram umas figurinhas também auto-adesivas, com impressão e papel normais. Eram ilustradas com brasões de cidades européias (agora sei que eram isso), alguns com rebuscados desenhos de castelos. Não titubeei. Adotei o nome de quatro para os meus times - Lemvig, Silkeborg, Torkenstad e Zillerzalt (deveria ser Zillertal). Na época, com meus parcos meios, só consegui descobrir que Silkeborg era uma cidade na Dinamarca. Para o Lemvig cheguei até a compor um hino, que tocava de forma muito solene em uma miniatura de sanfona Hering, no início de jogos 'importantes'. A letra dizia algo assim 'Mesmo que brigue, ele é Lemvig, ele é o maior e sem igual'. Não achei nada mais que rimasse com Lemvig do que brigue.


O brasão da cidade de Lemvig

Estes eram meus times. Fiz mais fusões e confusões com os mesmos, e acabaram todos fundidos em um único time chamado Pintainho! Que diferença, de sofisticados nomes nórdicos para Pintainho. Naquela altura já tinha virado um pouco mais mainstream, formando um Juventus (da Móoca), um Bangu (na época um time super falido, algo me atraía muito, sempre gostei do outsider), uma Portuguesa, um Guarani e um Flamengo.

Apesar de tanta criatividade, raramente ganhava no botão. Meu maior prazer era ter artilheiros. Meu irmão saía que nem louco atrás de celulóides, visitando todas relojoarias de SP, e eu acabava lhe vendendo alguns. O meu maior artilheiro fazia parte de um jogo de botão super-furreca, dos mais simples, que batizei de Simpático. Na última contagem, meu grande jogador já tinha marcado mais de 700 gols! Também tinha um lateral esquerdo, que chamava de '18' que tinha uma pontaria certeira. Seu número era 18, lógico. Quem diria, que os laterais um dia seriam os pontas...

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Tá todo mundo expulso

01/05/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Um juiz de futebol na Espanha expulsou dezenove jogadores de um jogo. Ou seja, de 22 atletas em campo, sobraram 3. A partida foi então encerrada nos momentos preliminares. Eu acho que o juiz tava com preguiça de arbitrar, e resolveu mandar todo mundo pro chuveiro, inclusive ele mesmo.

E se a moda pega...Os juízes ganham por partida, e se sacarem que poderão ganhar a mesma coisa trabalhando bem menos. Até os jogadores, que trabalham bem pouco pelas fortunas que levam para casa, podem gostar da história. Já imaginou, 400 paus por mês para jogar 20 minutos no mês inteiro? Nem o Madoff ganhou dinheiro tão fácil assim.

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Vivendo e aprendendo

01/02/09 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Começar o ano aprendendo é emblemático de um ano de evolução, progresso. Pelo menos é isso que a gente gostaria de pensar. Aprender sobre um assunto que lhe agrada é emblemático de um ano de muita evolução e progresso, de grandes realizações. Ainda mais quando a TV foi o instrumento de aprendizado, sem querer. Juro que foi sem querer.

Já tinha passado por uns 5973 canais na noite do dia primeiro, quando cheguei à simpática figura de um alvo pato na tela. Na realidade, uma pata. Isso obviamente chamou a minha atenção. O instrutivo segmento abordaria uma das questões mais sérias da acústica - se o quac do pato faz ou não eco.

Sempre ouvi dizer que o quac do pato não fazia eco de jeito algum, que era o único som que não fazia eco. Há alguns meses atrás tive um primeiro choque. Eu, que me julgava um grande perito em anatídeos, descobri que o pato não faz quac. A pata faz quac. Assim, sempre que vir o Pato Donald fazendo seus neuróticos quacs e arrancando suas penas, não acredite, é armação. Se for a Margarida, ok.

O intrigante assunto chamou a atenção de um engenheiro acústico inglês, que resolveu de uma vez por outra desfazer o mistério. Primeiro, teve que achar uma pata, lógico. A linda pata Daisy (Margarida em inglês) foi escolhida para o experimento científico de suma importância. Alguns encrenqueiros diriam que é uma marreca. Para mim, é pata.

A pata foi levada a duas câmaras de som diferentes. Uma desenhada para absorver qualquer eco, e a outra para ampliar. Munido de equipamentos de gravação super modernos, microfones de alta capacidade, e software super afinado, o nobre cientista, cujo nome não peguei, chegou à conclusão de que o quac da pata faz eco, sim. Ocorre que o som e o eco se sobrepõem, dando a impressão de que nâo ocorre o eco.

Assim, começo o ano mais informado sobre o fascinante e importante assunto. Peço desculpas a todas as pessoas a quem disse no curso dos anos, na minha ignorância, que o quac do pato não faz eco.

Vivendo e aprendendo.

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Não se mexe em time que está ganhando

12/31/08 | by carlos [mail] | Categories: vidao

Não sou reacionário. Não sou alheio a mudanças. Acho-as boas, contanto que façam sentido. Além de tudo, diz o ditado que não se mexe em time que está ganhando. Muitas vezes os técnicos de futebol, com ciúme da atenção dada aos seus pupilos, acabam mudando os times que estão ganhando, e as mudanças descabidas fazem os times perder.

Por isso não vejo razão para a adoção da recente reforma ortográfica que entra em vigor amanhã. E tenho um aliado suspeito a meu lado, a informática.

Para quem escreve como eu diariamente, aprender um monte de regrinhas novas é pelo menos chato. Mas, da mesma forma como aprendi estas regrinhas, aprendo outras. O grande problema é que hoje em dia todos estamos acostumados a confiar em programas de revisão ortográfica, que, a partir de amanhã, serão obsoletos.

Sim, a partir de amanhã, você poderá usar seu revisor ortográfico duas vezes. Uma vez use o automático, para ver se se enquadra na antiga ortografia, e outra vez, o manual, para ver se se enquadra na nova. Quando o texto é curtinho, de 500 palavras, tudo bem. Mas muitas vezes sou obrigado a trabalhar em textos de 20.000 a 50.000 palavras, e chega uma hora em que a vista embaralha.

Quem vai pagar o mico? Pessoas como eu, sem o costume de obter software pirateado, mais cedo mais tarde terão que por a mão no bolso para se atualizar.

Multiplique isso por milhões.

Por isso não apoio a tal reforma. Como o mundo é dos canetados, nada posso fazer.

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