Exploração da África

08/26/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Uma das grandes conquistas sociais do Brasil foi declarar a discriminação racial um crime inafiançável. Se isto vai mudar os corações das pessoas, não sei, mas o fato é que o uso indiscriminado da discriminação acabou! Fica aqui registrada a minha posição sobre o assunto. Pode me chamar de muita coisa, menos de preconceituoso.

Mas apesar da fabulosa conquista, a África continua a ser explorada. Com muito papo de cerca-lourenço! E se tem uma coisa que não gosto, é de papo de cerca-lourenço.

O autor de novelas Aguinaldo Silva tem passado por poucas e boas recentemente, e alguns atribuem o problema às posições assumidas no seu blog. Como o objetivo deste texto não é discutir novelas, IBOPES, Rede Globo, atrizes peladas e coisas do gênero, vou me concentrar em um blog recente do noveleiro, que deu para falar. Aguinaldo criticava o ministro Gilberto Gil, que supostamente estaria em vias de receber a cidadania da Comunidade Européia. O autor raciocina que Gil, sempre um grande promotor da negritude no Brasil, deveria buscar cidadania da Nigéria ou qualquer outro país da Africa negra, em vez de se render à branquitude do hemisfério norte.

Aguinaldo não está de todo errado, quem sabe deveria ter fundamentado suas opiniões de forma mais racional, em vez de somente chocar. Esqueceu que não estava escrevendo novela. Muitos são os intelectuais brasileiros que abraçam causas celébres populares como Cuba e a negritude. Vejam o caso de Cuba. Na hora de querer espaço na mídia, algumas figurinhas carimbadas da inteligentsia brasileira se esparramam em elogios ao feudo de Fidel Castro, como se fosse o paraíso na terra, mas na hora de comprar apartamentos ou gastar seus milhares de dólares ganhos no capitalismo artístico, escolhem a luxúria capitalista de Nova York, Paris, Los Angeles, Miami, Roma, Londres, Lisboa e Tóquio, e as praias de St. Barths, nunca La Habana e Santiago de Cuba!!! A medicina de Cuba supostamente é nota 10, mas a maioria corre para o primeiro mundo para fazer consultas complicadas!!! Nem tampouco optam por curtir ou passar longas temporadas em Lagos, Luanda, Cotonou ou Abidjan. Discorrer sobre os aspectos de cultura bantu é legal na Praia de Itapoan, no badalado Leblon ou em mesas fartas de comes e bebes em chiques restaurantes de São Paulo, sob os atentos holofotes, ouvidos e lentes da imprensa tupiniquim, não nas paupérrimas ruas da Guiné Bissau e Mauritânia. 'Eu quero mais é Broadway e Olympia'.

Isso me parece hipócrita, e de fato, tal exploração temática não ocorre só no Brasil. Vejamos o caso dos Estados Unidos. O país Libéria foi formado por escravos americanos libertos, que resolveram voltar à África, e criar sua própria nação. Não é mera coincidência que a raiz do nome do país seja 'livre' (Liber). Recentemente o país foi alvo de uma sangrenta guerra civil, que entre outras coisas, causou o completo colapso da rede elétrica do pais, colocando-o de volta no século XIX. Pergunta - a comunidade afro-americana se mobilizou para ajudar o país. NÃO!!!!!

Chego a entender o certo descaso dos Afro-americanos com os francófonos Burundi e Ruanda, afinal de contas, seus ancestrais não vieram de lá. Mas não dá para entender o total desinteresse pela Liberia, pois o país foi colonizado por afro-americanos, originários dos EUA, verdadeiros irmãos. Que nos leva a crer que existe um grupo de pessoas no mundo que explora este assunto pro bono suo, mas, como dizem os americanos, 'não põem seu dinheiro onde está sua boca'. Em português inteligível, exploram o ângulo negritude e África para vender livros, CDs, ser eleitos ou nomeados para cargos públicos, fazer programas de TV, promover ONGs, ganhar pontos no mundo acadêmico ou jurídico, e parecer boníssimas pessoas no universo politicamente correto, mas na hora de por a mão no bolso ou usar sua influência e tempo e fazer algo tangível pelos irmãos africanos, nada.

Falar de negritude e excluir a África não passa de papo de cerca-lourenço, subterfúgios. O continente precisa de auxílio, e não de mais exploração e papo furado.

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PAÍS DE DOUTORES

08/07/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Um dia desses, um amigo me pediu para enviar um fax. A linha discada era compartilhada com o telefone, e do outro lado atendeu uma sóbria voz masculina, assinalando um pouco de má vontade. Para não deixar meu interlocutor constrangido, usarei um nome fictício e singelo: Zé. Perguntei, respeitosamente: “Sr. Zé?”. Resposta: “Não, D-O-U-T-O-R (enfatica e pausadamente, puxando um pouco o r final) Zé”. Já era o fim do dia, hora perigosa para tratar um bem intencionado ser humano com tal empáfia, principalmente por que meu dia não tinha sido lá essas coisas. Apesar do meu zeloso respeito com Zé, obviamente se ofendeu por não tratá-lo de “Doutor”, palavra pronunciada poelo nosso herói com extra salivação, certamente emocionado e entusiasmado com a sua imaginada condição de membro da elite intelectual do universo. Como estava cansado, não rendi assunto. Não perguntei ao advogado “Zé” se tinha um Juris Doctor, para valer-se do título de “doutor” nos Estados Unidos - pois se tivesse só o bacharelado em direito, continuaria a tratá-lo, respeitosamente, de “senhor Zé”. Assim, o resto da conversa permaneceu trivial, o básico “estou te mandando um fax, blá, blá, passe bem”. Certamente o “doutorado” de “Zé” não era fruto de uma modesta auto-consciência da sua excelente eficácia, pois como advogado provou ser extremamente inepto, pelo menos no caso em pauta. Juris Doctor nosso herói Zé, não era. Mas isso não o impede de se achar o máximo...

Em outra ocasião, traduzi um diploma de uma médica brasileira, que ficou muito insatisfeita por eu ter traduzido o seu título de “médica” como “physician”. Insistiu que eu deveria ter traduzido “médica” como “doctor”. Não tive outra alternativa, senão ser didático. Expliquei que o curso de medicina no Brasil tem nível de bacharelado (contando a residência, no máximo, mestrado) pois não requer graduação prévia, e que nos E.U.A. todos os médicos eram Doutores em Medicina, pois o longo curso tem nível de pós-graduação, exigindo a conclusão prévia de um curso de graduação de pelo menos 4 anos. Ademais, informei que existe o curso de Doutorado em Medicina no Brasil, que ela aparentemente não tinha concluído, e que eu não podia simplesmente lhe atibuir uma titularidade que não tinha. O hábito, a tradição de chamar alguém corriqueiramente de doutor não deve ser confundido com o direito à titularidade, até mesmo sob o ponto de vista jurídico. Seria a mesma coisa o Pelé reivindicar um reinado, coroa de ouro e súditos, só por que milhões, senão bilhões de pessoas se habituaram a chamá-lo “Rei do Futebol”. Afirmei também que o uso do termo “doctor”, como tradução inglesa da palavra médico, é vulgar e menos sofisticado do que o termo elegante, mais preciso e vernacularmente correto, “physician”. Enfim, a nossa “doutora” aceitou, mas não gostou. Ficou uma vara, muito contrariada, para dizer a verdade. Se tivesse um revólver, me dava um tiro!

O Brasil é o país com o maior número de doutores no mundo!!! Sim, leitor. Basta ser advogado, delegado, ou qualquer tipo de autoridade, que você já se julga, ou te tratam, como doutor. As dezenas de milhares de senadores, deputados, vereadores, políticos, juízes e administradores públicos em geral, lotados nas dezenas de milhares de jurisdições do país, usurpam sem vergonha o título supostamente acadêmico. Especialmente numa época em que virou moda tornar-se político mal tendo o primeiro grau completo, isso dilui bastante o significado escolástico do termo. O pior é que os ex-ocupantes de cargos se sentem no direito de continuar a usar o honroso título indefinidamente. Basta ser membro de um conselho de uma empresa, que o(a) sujeito(a) já vira doutor. Em alguns locais, basta usar o plural das palavras corretamente para ser tratado de doutor. Doutor em que, regência nominal? Para o guardador de carros, basta uma pessoa ser dona de um automóvel para ganhar um doutorado automático (salvo se o possante for um Gordini 63). Uma arcada dentária completa qualifica uma pessoa para o doutorado em outras jurisdições.

Curiosamente, aqueles que gastam anos de vida enterrados em livros, os verdadeiros Ph.D., frequentemente são meramente chamados de “professores”. Privadamente, a expressão pejorativa “é só um professorzinho” ainda é frequentemente usada, principalmente pelos falsos doutores, que geralmente gozam de uma posição financeira-social mais privilegiada do que os verdadeiros doutores acadêmicos.

A proliferação de “doutores” na nossa terra tem um paralelo no número de milionários brasileiros há alguns anos atrás. Quando a inflação corroía a nossa desprestigiada moeda à razão de mais de 50% ao mês, tornara-se fácil ser milionário no Brasil. Afinal de contas, na época um milhão de cruzeiros (ou cruzados, ou cruzados novos) equivalia a umas poucas dezenas de milhares de dólares. Bastava ser de classe média alta para ser milionário. O Plano Real acabou com a festa. Sem dúvida, muitos se contentavam, naquela época, em ter um patrimônio milionário, não importava se com dinheiro podre, assim como muitos se enchem de orgulho de serem chamados de doutor, sem ter esquentando os bancos das escolas e faculdades por muito tempo, e alguns mal dominando a chamada "norma culta" do idioma pátrio.

Precisamos de algo similar ao Plano Real para acabar com a farsa dos falsos doutores, e já tenho uma idéia. Só não sei se os doutores de Brasília (e são tantos) vão gostar da história, e aprovar a lei. A coisa funcionaria da seguinte forma. A pessoa que quer ou permite ser chamada de doutor, sem sê-lo, poderia usar o título alugando-o do governo, por, digamos uns R$20,000.00 anuais. Como títulos nobiliárquicos eram vendidos no passado, a peso de ouro. Aquele que não pagasse a taxa anual, e fosse pego em flagrante aceitando ser chamado de Doutor, seria multado, digamos R$1,000.00 por ocorrência. Se o sujeito recusasse o título, dizendo humildemente, “Não, meu filho, não sou Doutor”, a multa não seria aplicada. O acúmulo de multas não pagas resultaria em prisão, etc. Poderia ser criada uma Polícia do Doutorado, para aplicar multas e garantir o cumprimento rigoroso da lei. O dinheiro arrecadado comporia um fundo de bolsas de estudo para alunos de...doutorado. Garanto que em menos de um ano ninguém mais vai querer ser chamado de doutor no Brasil.

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Um golpe aqui...

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Curiosamente, a FIFA resolve acabar com o rodízio de Copas do Mundo entre as Américas e Europa logo após o Brasil ser confirmado sede da Copa de 2014. Supostamente, a razão disso é o fato de o Brasil ser candidato único a sede da Copa daquele ano.

Vou citar um fato, e não é minha intenção sugerir que haja marmelada nas Copas. Mas o fato é que nenhum time europeu ganhou copas nas Américas, e de fato, somente o Brasil, entre os times americanos ganhou uma copa na Europa, na Suécia, no longínquo ano de 1958. O por que disso, ninguém sabe. Coincidência? Não sei. Os times europeus têm melhor desempenho perto da torcida? Pode ser. É por causa da água???? Lá sei eu.

Mas aqui existe a grande possibilidade de que, ao eliminar o rodízio, nunca mais um país das Américas seja sede de uma Copa (exceto os EUA), até por que, salvo se houver mudanças vultosas no mundo, os países sul-americanos sempre vão ser inferiores vis-a-vis países europeus e alguns tantos da Ásia.

Sem querer ser paranóico, acho que estão querendo dar uma bela rasteira no Brasil e na Argentina...

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...outro acolá

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Sei que o poder entorpece e vicia. E sei que um dia é da caça, e outro do caçador. Entretanto, a sugestão de que Lula poderia se candidatar a um terceiro mandato consecutivo como presidente me faz lembrar dos idos dos anos 80, quando se discutiu a extensão do mandato de João Figueiredo, que muitos chamavam de golpe. Figueiredo, que inicialmente dizia não querer ficar na Presidência mais tempo do que devia, certamente pela falta de cavalos e estrebarias em Brasília, finalmente aceitou e até gostou de ficar mais tempo sob os holofotes. Pois bem, o presidente no momento diz achar o terceiro mandato consecutivo um absurdo, mas sei não.

Até entendo que o PT sinta que o seu único 'star' é Lula, e concordo. Não há ninguém no partido que possa concorrer com Aécio Neves ou mesmo Ciro Gomes. Ou até José Serra! Portanto, a próxima eleição significaria um bye-bye temporário do Planalto. Até a volta de Lula na eleição seguinte.

Mudam os atores, mas o roteiro é sempre o mesmo...

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Idiotices

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Estou colecionando pérolas da idiotice na Internet, sejam aquelas produzidas por idiotas, ou aquelas que visam nos fazer de idiotas. Compartilho esta coleção com você, querido leitor, que estará sendo expandida à medida em que localizar tais pérolas.

* O escritor argentino Gonzalo Otário da Hora, quero dizer, Otálora, teve a grande idéia de criar uma campanha para tributação das pessoas lindas. Segundo o escriba, pessoas bonitas causariam sofrimento às pessoas feias. Modestamente, não advogo em causa própria, mas o cara ou está doido ou tem alguns problemas de ordem intelectual. Beleza é um critério puramente subjetivo, e não haveria como cobrar tal imposto - presumo que o sujeito realmente esteja sugerindo esta temeridade com seriedade. Eu, por exemplo, acho que a Gisele Bundchen e Julia Roberts têm cara de cavalo, e que a Penelope Cruz é horrível. Muitos discordam. Quem estaria certo?

* Pouco me importa a preferência sexual do Richarylson, que foi identificado como homossexual por um afoito conselheiro do Palmeiras em plena televisão. A coisa deu até processo e uma nova doutrina jurídica sobre virilidade no futebol. De repente surge do nada uma namorada do jogador, que foi devidamente contratada por uma revista masculina que adora deixar famosas ou candidatas a famosas peladonas da silva. E com a bolsa cheia da grana. Uma vez anunciado o 'ensaio' acabou-se a suposta vontade de sacramentar a união do casal de pombinhos, que desfizeram o namorico. Que papo pra boi dormir....Chega de Richarylson, please!!!!!

* O Laboratório Schering no Brasil foi condenado a pagar uma indenização milionária a usuárias de uma pílula anticoncepcional de farinha, acidentalmente distribuída ao público consumidor. As pílulas foram fabricadas sem o ingrediente ativo, somente para testar uma nova máquina embaladora e acabaram nas mãos do público. O resultado foi um monte de gravidezes indesejadas no Brasil inteiro. Nos autos do processo o laboratório, completamente sem argumentos para justificar sua incompetência, disse que a falha havia causado pelo menos algo de bom - o nascimento de diversos pimpolhos. Não é só o laboratório que é incompetente - o argumento do advogado é pífio, de uma sublime incompetência. Para quem toma pílulas anticoncepcionais, a vinda de um bebê geralmente não é comemorada! Por isso a mulher tomou a pílula para começo de conversa. De fato, pode ter sido um dissabor e transtorno para muita gente com parcos meios financeiros para sustentar um outro filho, por exemplo. É brincadeira!!!!!

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TV CURTURA

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Diz a história que durante o regime militar, nos anos 60, o governo federal deu um impulso muito grande à TV, em parte por julgar que o Brasil era um país muito heterogêneo na época, o que podia gerar repercussões negativas à unidade da federação. Assim, foram dadas diversas concessões, facilitado algo aqui, ali e acolá, como importação de equipamentos, fazendo-se vistas grossas a certos regulamentos, coisas do tipo. A questão era estratégica. GUERRA É GUERRA! Entre outras coisas, via-se a TV como elemento de disseminação de cultura, alfabetização de massas incultas, doutrinação política e de fato, foram promulgadas leis que obrigavam as emissoras a transmitir programas educativos.

Passados 40 anos, o Brasil parece um país bastante integrado. No Amapá sabem-se todas as gírias da hora no eixo Rio-São Paulo, os piauienses sonham com a Daslu, os índios almejam ter iPods, toda guria gaúcha bonitinha quer estar no Sao Paulo Fashion Week, e pouco a pouco, somem os mais fortes sotaques e regionalismos, assim pasteurizando e padronizando a cultura. Diga-se de passagem, não de acordo com a suposta norma culta, e sim, por uma norma popular.

Apesar da boa intenção dos governantes, a obrigação de transmiir programas culturais sempre foi atendida de forma maliciosa - os programas 'cultos' geralmente eram transmitidos em horários em que somente porteiros assistem televisão, ainda assim cochilando metade do tempo. Assim, o efeito educativo da televisão sempre foi bastante diluído, senão eliminado. Nossos porteiros continuam um tanto desinformados.

Um dos poucos programas da época com conteúdo informativo, embora às vezes tendencioso, era o Globo Reporter.

No universo fashion em que vivemos, a cultura vira curtura, cultura cada vez mais curta! GUERRA É GUERRA. E na guerra pelo Ibope, no primeiro trimestre de 2008 o Globo Reporter dará lugar ao terrível BBB, uma das maiores bossalidades já veiculadas na telinha brasileira! Assim, ganha a Curtura Pop de celebridade, sexo, competição, grana e fama, e perde a Cultura Clássica de informações e evolução intelectual que podem impactar a vida das pessoas de forma positiva. Ganha o 'reality' irreal, perde a realidade verdadeira.

É a vida. E às vezes não é tão bonita assim, apesar das aparências.

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Uns saem, outros chegam

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Diziam que nas últimas fotos do Tancredo Neves o presidente eleito do Brasil já estaria morto, e que não passaram de montagens com gente segurando o homem sentado, enquanto a tchurma pensava no que dizer para o desapontado país. Se isto é verdade ou não, é típica ocorrência da estranha época de transição do País para a democracia. Coisas que pareciam, mas não eram, como o plano Cruzado, Fernando Collor, etc.

Nas suas últimas fotos, o ditador Fidel Castro parece estar na mesma situação de Tancredo nos seus últimos dias. Parece mais morto do que vivo, deixando a comunidade cubana daqui de Miami em grande expectativa. Muitos não voltaram à sua terra natal desde que Fidel tomou o poder, e esperam que com a sua partida, o País tome rumos diferentes.

Pois um vai embora, e chegam dois. Chavez já aperfeiçoou o método de mascarar a sua ditadura com um véu de democracia, visando permanecer no poder indefinidamente. Não só isso, agora começa uma corrida armamentista na América do Sul, que levou o Brasil a tomar uma providência em relação à sua combalida frota aérea. Amizade é uma coisa, negócios à parte!!! Afinal de contas, as intenções de Chavez provavelmente se estendam além do relativamente pequeno território venezuelano. Just in case...

Já o boliviano Evo Morales disse, com todas as letrinhas, que pretende ficar muito tempo no poder. Ou seja, mais daquele cansativo M.O. marxista, de usar a democracia para chegar ao poder, e uma vez lá, dar um pelo pontapé no fundilho da democracia e firmar estacas.

Ainda bem que no Brasil parece que as instituições estão relativamente fortes, e o próprio Presidente Lula descartou a possibilidade de um terceiro mandato consecutivo, que nada mais seria do que uma tática chavista.

Uma parte importante da democracia é, afinal de contas, a pluralidade de idéias. Por melhor que um presidente seja, sua permanência indefinida no poder é nefasta para uma nação. Seja qual for seu matiz ideológico.

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Perturbados

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Os europeus parecem muito perturbados com o fato de o Brasil ter sido, finalmente, escolhido como sede de uma Copa do Mundo, diga-se de passagem, sessenta e quatro anos depois de sedia-la pela primeira vez. Parte do problema, suponho, é que a Europa vai ficar sem Copas do Mundo até 2018, pois a próxima Copa será sediada na África do Sul.

Os europeus sem dúvida querem melar a copa brasileira, alegando miríades de problemas. Sim, o Brasil tem problemas de segurança, e até mesmo de infra estrutura esportiva, turística ou hoteleira, neste ano de 2007. Só que a Copa do Mundo vai se realizar no Brasil em sete longos anos. Muita coisa pode, e vai rolar. Se você me dissesse, em 1999, que a China, país sem tradição alguma em automobilismo, iria sediar um GP, e teria o melhor autódromo do circuito, eu riria na sua cara. O mesmo diria sobre Bahrein, diga-se de passagem situado no inseguríssimo Oriente Médio, Turquia, que também não é flor que se cheire em termos de segurança, e Singapura, que passará a ter um GP, o primeiro à noite, no ano que vem.

Muita coisa podia rolar, e rolou para esses países.

A experiência dos Jogos Panamericanos provou, por bem, por mal, que o Brasil tinha e tem capacidade de realizar eventos desta envergadura.

Os europeus sem dúvida se preocupam com o fato de nunca terem ganho Copas fora do seu próprio continente; e as próximas duas vão se realizar fora de casa. A preocupação me parece um pouco metafísica.

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Caixa de Pandora

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

O advogado Luis Eduardo Greenhalgh, que representa o Padre Julio Lancelotti na recente acusação de extorsão supostamente cometida contra o religioso não é uma pessoa ingênua. Já foi deputado, e portanto está ciente de que tem uma grande batata quente nas mãos, desde o princípio. O que começou como uma acusação de extorsão, adquire feições de um escândalo de proporções razoavelmente extensas.

Assim, pouco a pouco, de vítima o padre passa a acusado. Daí, culpas têm que ser atribuídas para tamanha mudança de ventos, e aparentemente, decidiu-se atribuir à Igreja Universal, na pessoa da Rede Record, a culpa por tão abrupta inversão.

Deixando os inuendos sexuais de lado, o que mais me fascina nesse caso é a constante mudança dos valores da alegada extorsão. Quando o caso caiu na boca da mídia, o valor era de R$50 mil. Poucos dias depois, passou para R$80 mil. Agora, o próprio advogado de Lancelotti admite R$140 mil a R$160 mil, ao passo que a parte oposta já fala de R$600 mil a R$700 mil. Parece a discussão sobre o passe do Robinho.

É difícil admitir que alguém numa posição de certo poder, com boa formação acadêmica, que lida com verbas, não lembre a diferença entre $50 e R$80 mil, quanto mais R$160 mil. Se de fato a coisa for para o lado dos estratosféricos R$700 mil, obviamente existe um problema muito sério. Acho que ninguém esquece dinheiro gasto com extorsão tão facilmente. Como nunca fui extorquido, não sei por experiência própria.

De certa forma, é a própria defesa do padre que está abrindo a caixa de Pandora. A mídia tem a obrigação de informar, e tentar atribuir culpa a uma estação de TV cujos proprietários são evangélicos é distorcer sobremaneira o âmago da questão. Até porque, pelo que me consta, a Folha de São Paulo não é convertida...

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Cartão de crédito classe C

07/23/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Quando foram lançados os cartões de crédito no Brasil, eram símbolo de status, pois eram destinados somente para a Classe A. Como a classe A é relativamente pequena no Brasil, país de quase 190 milhões de habitantes, o inevitável aconteceu - o cartão de crédito achou o bolso da classe C.

Na realidade, isso só é reflexo de algo que já vem ocorrendo nas outras áreas do marketing e publicidade no país. Até uns 10 anos atrás, a publicidade no Brasil era, em grande parte, voltada para as classes A e B, as donas do dinheiro. As coitadas das classes C e D pareciam que nem existiam no imenso país continental. Descobriu-se o grande erro disso, e na publicidade atual, há cada vez mais investimentos em campanhas voltadas às classes menos abastadas em detrimento da pequenina classe A. Houve uma certa inversão de valores, digamos.

Por um lado, se o maior investimento em publicidade demonstra uma certa evolução do poder aquisitivo da classe C, a grande emissão de cartões de crédito para classes menos abastadas pode ter consequências desastrosas.

Vejamos o exemplo dos EUA. Aqui também os cartões de crédito eram coisa de ricos até os anos 80, quando aumentou o número de bancos emissores de cartões, e as oportunidades de grande retorno foram se extinguindo para os bancos no filão mais nobre, empréstimos para empresas. As grandes empresas, tradicionais tomadoras de empréstimos vultosos junto ao sistema bancário, passaram a ter acesso a uma série de instrumentos de crédito na Wall Street, tomando dinheiro emprestado a juros menores com emissáo de papéis, com prazos mais prolongados, boa carência e sem ter que hipotecar seu patrimônio. Se por um lado os bancos tinham volumes imensos de dinheiro para emprestar, no lado passivo, estavam perdendo clientes no ativo. E passaram a ser complestamente irresponsáveis na concessáo de crédito fidejussório.

Há muita gente que chega a pagar extorsivos 30% de juros ao ano em cartões de crédito nos EUA, acumulando dívidas impagáveis que inevitavelmente levam o indivíduo á falência pessoal. Para os bancos, em franca fase de consolidação, o que interessava era expandir o volume de ativos, assim tornando-se mais atraentes para processos de fusões.

O fato de pessoas com renda inferior a R$1.499 deterem 67% dos cartões de crédito no Brasil é, sem dúvida perigoso. Pois se com juros anuais de 30% os americanos não conseguem nunca quitar seus cartões, como conseguiria o brasileiro de pouca renda faze-lo, se acabar administrando errado sua dívida? Basta somente um mês para se descontrolar completamente.

De fato, a classe A, e de certa forma a classe B, não são bons clientes das empresas de cartão de crédito justamente por que não acumulam dívidas!

Embora haja sempre aqueles que provavelmente vão comemorar este fato como se fosse outra conquista das classes menos ricas, acho que não passa de uma volta de regime de escravidão.

O tempo dirá quem está certo.

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Unhas e dentes

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Acho que não sou só eu que defenderia meus patos com unhas e dentes. Um mal avisado cachorro atacou um indefeso pato na Índia, e seu dono tomou as dores do anatídeo e começou a brigar com o cachorro. A besta resolveu morder o ofendido dono do pato.

Como não conseguiu se livrar da fera no braço, o cara mordeu o cachorro também, no pescoço, até que este abrisse a boca. De repente juntou uma rapaziada em volta dos improvisados lutadores, que logo cansaram de tanta dentada, e o coitado do cachorro (obviamente não sob o ponto de vista dos patos) acabou sendo linchado pelo decepcionado público.

No fim das contas o sujeito teve que ir para o hospital, pois o cachorro estava literalmente com raiva!!! O cachorro realmente pagou o pato.

Eu faria a mesma coisa. Portanto, não mexam com meus patos. Mesmo de plástico. Cuidado, tenho dentição completa. Ainda.

Se alguém achar que isto é armação minha, leiam aqui -
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u354561.shtml

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O luar que já passou

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

A lua, em termos gerais, não muda, o luar, sim. Na verdade, de segundo a segundo. Sua aparência fica diferente, as nuvens ao lado fazem desenhos diversificados e até o brilho do satélite terráqueo muda. Isso fica mais claro com o mar. O mar que você vê na sua frente agora é completamente diferente do mar do segundo seguinte, do anterior, de um século atrás. A água hoje à sua frente, pode estar na Nova Zelândia em um mês. Isso se não evaporar, cair como chuva e terminar em um aquífero durante milhares de anos.

Assim é o mundo das celebridades. Em um mundo cada vez mais obcecado por celebridades, isso é relevante. Celebridades novas chegam, outras perdem a fama, morrem, ficam doentes, velhas e esquecidas. O panorama muda constantemente, como o luar e o mar.

Não se pode dizer que a apresentadora Xuxa possa reclamar da vida. Dona de uma estética invejável, a 'Rainha dos baixinhos' conseguiu ficar por cima da carne seca por quase um quarto de século. Ficou famoso um video da Xuxa no começo da carreira, no Youtube, que mostrava que ela mal tinha jeito com os baixinhos. Dizer se ela gostava ou não deles, é território do seu foro íntimo. Vamos nos ater aos quantificáveis e audíveis. Com uma voz fininha e até desagradável, vendeu milhões de discos, muito mais do que a maioria de gênios da MPB. Fez diversos filmes de sucesso, sem ser boa atriz. Sem contar o extremo merchandising feito em cima da sua imagem, que só alimentava ainda mais sua popularidade.

Sim, para Xuxa abandonar a carreira de modelo e abraçar a de apresentadora infantil foi uma boa estratégia. Certo que sua tentativa de entrar nos mercados hispano e americano foi um grande fracasso, mas reinou no Brasil por muitos anos.

Ela foi namorada do Rei Pelé no início da sua carreira. Este, dono de uma abundante simpatia e genuíno gênio na sua atividade principal, continua popular trinta anos após abandonar os gramados definitivamente e vive quase exclusivamente da sua imagem. Pelo que se conhece da pessoa pública da moça, acho difícil que ela se torne uma boa entrevistadora, por exemplo, no molde de Adriane Galisteu. Ou mesmo animadora de palcos para adultos, no molde de Ivete Sangalo. Falta-lhe carisma que interesse a adultos. Certamente não se tornará âncora do Jornal Nacional.

Difícil ver Xuxa na mesma situação de Pelé daqui a trinta anos.

Sim, o luar já passou, e Xuxa já não é mais a rainha diária dos baixinhos. Por enquanto, é semanal. Até quando, sabe-se lá.

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Melhor Presente de Natal

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

O Brasil não poderia ter um melhor presente de Natal do que a recém anunciada passagem de 20 milhões de brasileiros das classe D e E para a Classe C, segundo Pesquisa da Data Folha.

Dizer que a Folha morre de amores por Lula e seu governo seria uma falsidade. Isso de fato derruba qualquer acusação de viés na pesquisa, legitimando-a.

Os asseclas de carteirinha de Diogo Mainardi, antes de se revoltarem com a emergência da classe C, devem se lembrar que quem mais ganha com um país com pessoas mais abastadas são os próprios ricos. Os donos de grandes empresas vendem mais, seja qual for o seu setor. Quem sabe só a Daslu não ganhe muito com isso...

20 milhões de pessoas com um padrão melhor significa um grande mercado. A própria classe média, que sempre se sente preterida nos ganhos da nação, também deve festejar. Milhões de pequenos comerciantes e profissionais liberais também expandem a sua clientela.

É esse o caminho que o País deve seguir. Só espero que os bancos parem de emitir cartões de crédito sem muito critério, o que não só pode aquecer sobremaneira a economia, como aumentar a inadimplência e destruir o ganho econômico desta fatia da população.

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Décimo terceiro salário

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Não sou estraga prazeres. Quero que todos curtam os seus 13o.s numa boa. Nunca recebi um décimo terceiro salário, pois toda minha vida profissional ocorreu nos Estados Unidos, e sempre ganhei menos no fim de ano, tendo que fazer reservas. O décimo terceiro é uma coisa curiosa e ilusória.

Para o funcionário, fica a impressão de estar ganhando dobrado naquele mês, mês de festas, férias, fim de ano. Dá-lhe a impressão de que está ganhando um salário mais próximo do que chama de justo, pois nunca vi um funcionário dizer que ganha o que vale. Sempre se julga 'explorado'. Assim, se o sujeito ganha 1500 reais por mês, em dezembro leva 3 paus para casa. Se ganha 5, leva 10. Se ganha 20, leva 40!!!! Daí é aquele festão!!!

Na realidade, não é bem isso que ocorre. Na hora de calcular o salário do fulano, a empresa sabe muito bem que vai ter que lhe pagar o 13o. no final do ano. Simplificando, se o salário líquido justo anualizado do fulano seria 26.000 reais, o empregador então divide o salário do fulano em treze, pagando-lhe 2 mil por mês (1/13), e 4 mil em dezembro (2/13). O que seria a mesma coisa se o sujeito recebesse 2.166 por mês, sem o décimo terceiro. No esquema do décimo terceiro, o funcionário tem a impressão de que sai ganhando, mas, na verdade, quem sai ganhando é a empresa, que passa 11 meses do ano pagando um salário deprimido, inferior ao 'justo', embora tenha que fazer o desembolso no fim do ano. Que para muitas empresas, não faz muita diferença, pois o maior nível de consumo de fim de ano lhe garante caixa mais forte no mês de dezembro.

166 reais pode não parecer muito dinheiro, mas se você multiplicar por 10.000 funcionários isso equivale à bagatela de 1.660.000 por mês, que no mercado de capitais, rende uma boa grana para a empresa.

Melhor seria se o brasileiro aprendesse a economizar seu próprio dinheiro, recebesse seu salário justo o ano inteiro e fizesse reservas para os gastos de fim de ano. Acreditem, nunca morri por ganhar menos em dezembro. No fundo, o décimo terceiro é uma atitude paternalista, que favorece quem tem um belo fluxo de caixa e ilude o trabalhador...

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Questões imobiliárias

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Estive recentemente no Brasil, e durante a minha visita fiz algumas observações interessantes, especificamente sobre a cidade de São Paulo. Sou paulistano, mas resido há muito tempo no exterior, de forma que ainda me choca bastante a dilapidação imobiliária no centro da cidade de São Paulo. E, embora tenha tido a sorte de não enfrentar os mega-congestionamentos típicos da grande metrópole, por lá estar na época de Natal e Ano Novo, frequentemente leio nos jornais online sobre a verdadeira crise do trânsito na cidade.

Há alguns anos atrás um indivíduo resolveu revitalizar a área chamada de Meat District em Manhattan. A área era uma das poucas áreas desvalorizadas da cidade, antro de prostitutas, traficantes e mal cheirosos atacadistas de carne. Pois bem, o sujeito, cujo nome não me lembro, em um curto espaço de tempo comprou mais de 60 imóveis de grande porte na área, e , praticamente sozinho, revitalizou-a. Ocorre-me que morreu antes de ver a glória da sua visão, mas hoje lá estão as galerias que outrora faziam sucesso no Soho e restaurantes da hora, além de prédios de luxo e até firmas da Wall Street.

Parece-me quase óbvio que o esquema suburbano simplesmente não funcionou no caso de SP. Morar em condomínios fechados em Alphaville e Chácara Flora parece uma boa coisa, exceto que faz com que o morador gaste até quatro horas no caótico trânsito da cidade, nos dias ruins, que são muitos, e perca alguns anos da sua vida no trânsito.

Assim, parece que mais cedo, mais tarde, o centro da cidade deverá ser revitalizado. Ainda há inúmeras anacrônicas casinhas caindo as pedaços, além de centenas de prédios construídos antes dos anos 50 que também não fazem mais sentido numa era motorizada, pois não têm garagem. Quem tiver visão e paciência (e um bolso cheio de grana) poderá ganhar verdadeiras fortunas, quando o centro voltar a ser pujante, pois o anti-êxodo ocorrerá dentro de dez anos.

Segundo o Banco Central, brasileiros têm mais de 150 bilhões de dólares no exterior, portanto, grana há, e muita. Por fim, a revitalização do centro não só melhoraria a situação viária da cidade, aprimoraria seu visual e aumentaria a segurança do centro.

No outro hemisfério, também há belas oportunidades para investidores brasileiros. O preço dos imóveis está em franca decadência nos Estados Unidos, o que, aliado com o desvalorizado dólar, cria amplas oportunidades de investimento de médio prazo. Não é pra todo mundo, lógico. Aqueles que se acostumaram a obter hipotecas com bases fictícias encontrarâo um mercado de crédito cada vez mais duro e avesso a estrangeiros. O negócio agora é compra em cash. Sem dúvida, o mercado imobiliário não vai ficar deprimido para sempre, e o real também não vai ficar valorizado indefinidamente. Para quem tiver estômago (e grana) este é o momento.

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Questões térmicas e aeroportuárias

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Estive viajando recentemente pela TAM, e notei que deve existir algum tipo de problema com o controle térmico interno dos seus aviões. Em 2006, quase derreto num vôo Miami-Salvador-SP, e neste ano, quase congelo num vôo SP-Miami. Será que ninguém na empresa ouviu falar de meio termo? A variação térmica entre estes vôos foi brutal. Sei que isto não é uma amostra científica, mas não acho que eu seja tão azarado assim de pegar dois vôos com tamanha diferença de temperatura interna no curto prazo de ano e meio. Alguém tem que estabelecer um padrão térmico dentro da empresa, e se este existe, não está sendo seguido.

Para mim, algo serviu o auê feito pela imprensa sobre a crise aérea brasileira. Apesar de ser época de Natal-Ano Novo, o aeroporto de SP estava relativamente vazio, assim como as ruas de SP. Não tive grandes atrasos, e tudo correu dentro do planejado. Eu continuarei viajando de avião.

Só que deu para sentir um pouco como o brasileiro já vem "armado" para os aeroportos, pronto para mandar os pobres aeroviários do check-in para lugares indesejados. Esquecem-se que os coitados do check-in pouco ou nada têm a ver com os problemas operacionais das empresas.

Uma jovem moçoila, que à distância parecia equilibrada e educada, deu um grito ensurdecedor ao decretar que ela estaria viajando num certo vôo, custe o que custar. Acho que o grito deve ter sido audível no seu destino final, no exterior!! Já uma senhora, viajando com uma acompanhante, resolveu usar o ângulo médico, ao dizer para a atendente que estava em vias de ter um ataque cardíaco. Quando a funcionária lhe ofereceu um médico, logo desparareceram os faux sintomas cardiovasculares. Ela bem que merecia um choque. Mas a grossura da mulher continuou firme, exigindo da gerente tratamento rapidíssimo e um hotel em NY, pago pela empresa.

Não posso imaginar como estavam os aeroportos no auge da "crise". Por que não fizeram um reality show nos aeroportos?

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Satisfações

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Quem diz que os jornais só trazem más notícias? As edições dos jornais brasileiros de hoje continham pelo menos duas notas que me trouxeram bastante satisfação.

Fiquei um tanto chocado e bravo quando levaram os dois quadros do MASP. Confesso que sou um pouco indiferente em relação ao Picasso, mas gosto da arte do Portinari, e fiquei um pouco perturbado com a possibilidade do quadro ter se perdido para sempre. Agora que o acharam, tenho certeza que o MASP vai cuidar do seu acervo com mais cuidado. E quem sabe, eu crie vergonha e vá visitar o museu e ver o bendito Portinari!

O outro item foi a baixa audiência do BBB. O programa, que a meu ver significa Besteirol Bossalidade Brasileira, já deveria ter saído do ar há muito tempo, e espero que a fraca audiência continue. Acho que o BBB reúne o que de pior existe não só na sociedade brasileira, como na sociedade global. Provoca, incita coisas ruins, verdadeiros distúrbios de personalidade. Espero que no fim desta edição todos estejam vendo desenhos do Pica-Pau...

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A Inquisição continua

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Já tentei usar palavras mais elegantes, como viés, outras mais populares, como "assinatura", mas parece que realmente seria mais apropriado usar o termo Inquisição para demonstrar a forma como a mídia brasileira trata os evangélicos.

Pois bem, na folhaonline de hoje apareceu um artigo intitulado "Pastor usa pasta para organizar evento religioso". As "revelações" foram feitas por um site ambientalista, que diz que um consultor pago pelo Ministério do Meio Ambiente, que é pastor da Assembléia de Deus, realizou um evento chamado "Os Cristãos e o Criador" na Câmara dos Deputados. O dito cujo também é "acusado" de, crime dos crimes, realizar cultos na sala de reuniões da pasta.

A pequena nota, que chegou a ser divulgada na home page do site noticioso (por que, não sei, pois o assunto não me parece tão importante), lembra que a Constituição Brasileira proibe o Estado de estabelecer cultos religiosos ou subvencioná-los.

Digamos que a palavra "subvencioná-los" seria um eufemismo para proselitismo. Ou seja, o Estado (e a imprensa) deveriam ser imparciais em questões religiosas.

Não vou defender a realização de cultos num órgão do governo, pois isto é uma faca de dois gumes. Realmente é melhor que o governo não se meta em religião, e vice-versa, pois a liberdade de opção religiosa é sempre desejável.

Curiosamente, entretanto, o Ministério da Cultura sustenta e promove a FUNDAÇÂO CULTURAL PALMARES. O nome do ministério aparece em letras garrafais no site e em todos eventos e panfletos da fundação. Até o site da mesma é .gov! Ora, com a desculpa de promover os interesses da população afro-brasileira, em mais alto estilo politicamente correto, o Ministério dá muito mais do que apoio à instituição. Acaba fazendo proselitismo das religiões afro-brasileiras, apresentando-as meramente como "res culturalis" e não como religiões.

Acho que os afro-brasileiros merecem todo o apoio possível, entretanto, as diversas e bem divulgadas atividades da tal Fundação, incluem frequentes palestras, alusões, promoções culturais das religiões afro-brasileiras, até mesmo atos e ritos religiosos. Para os interessados em realizações de cultos afro com dinheiro do Erário, vejam o exemplo http://www.clicabrasilia.com.br/portal/noticia.php?IdNoticia=41818. Curiosamente, a mesma Folha de São Paulo que demonstrou indignação com um seminário cristão que promove a responsabilidade sócio-ambiental, por diversas vezes já cobriu as atividades da FUNDAÇÂO CULTURAL PALMARES, mas nunca se indignou com esse óbvio fato.

Senhoras e senhores. Seja qual for a religião, o que é válido para uma, é válido para a outra. Se cultos evangélicos não podem ser realizados em dependëncias do governo, palmas para nossa Constituição, mas então instalações e dinheiro do governo (e do povo) não devem ser usados para promoção de religiões afro, sob o pretexto de promover a tolerância religiosa. Isto simplesmente não é o papel do governo, além do que, não passa de demagogia.

Os intelectualóides de plantão, com ranços da Semana de Arte Moderna, podem argumentar que as religiões afro-brasileiras fazem parte integral da cultura brasileira e portanto, mereceriam tratamento "diferenciado", como coisa cultural e não necessariamente religiosa!!! Na realidade as religiões afro-brasileiras são tão importadas quanto o catolicismo e protestantismo, mas isso é outra história. Até o nome das entidades são os mesmos usados em Cuba, ou seja são religiões africanas, devidamente adaptadas. Assim como a maioria das importantes religiões praticadas no País - adaptadas de religiões de fora. Em suma, proselitismo é proselitismo, aval é aval, e o MC dá aval às religiões afro-brasileiras, através de tal fundação. E isto está errado.

Este blog nada tem contra a população afro-brasileira, além do que uma grande porcentagem desta, atualmente, é evangélica e provavelmente nem aprova algumas das atividades da Palmares. Portanto, não me chamem de preconceituoso, pois não o sou. Nem tampouco promovo intolerância religiosa, contra uma ou qualquer religião. Entretanto, sou da opinião que as regras devem ser respeitadas e os princípios aplicados a todos, igualmente. O exemplo deste órgão do MC é o mais gritante, por isso foi usado.

Infelizmente, no afã de falar mal dos evangélicos, a grande mídia se esquece de usar uma das qualidades principais e mais desejáveis no quarto poder - a imparcialidade.

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Quatro centímetros

07/22/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Causou furor no desfile de escolas de samba no Rio de Janeiro a microscópica fantasia usada por uma moçoila cujo nome me furto de publicar para não lhe dar mais publicidade. Além de fazer topless, a dita cuja usava como indumentária adicional um singelo "tapa-sexo" de quatro centímetros. QUATRO CENTÍMETROS. Ou seja, menor do que um band-aid. Sabe o que são quatro centímetros? Aproximadamente a fileira de `a` abaixo:

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Vejam só se isto é, ou não, apelação.

O mais engraçado foi a reação da 'artista', que, ao ser interpelada disse não estar querendo chamar atenção!!!! Me faz lembrar da bandeirinha Ana Paula dizendo que gostava de privacidade. Uma usa as folhas de Playboy para mostrar as suas privacidades a centenas de milhares de pessoas, a outra o Sambódromo para não chamar atenção com suas fartas roupas...Melhor, 'farta' de roupa.

De positivo nisso somente a atitude dos organizadores, que resolveram deduzir pontos da tal escola, para tentar manter controle do evento. Quem sabe no ano que vem a escola multada compre fita isolante para distribuir às suas passistas e destaques. Ou band-aids, que afinal de contas, são maiores.

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ETILISMO E ELITISMO

07/15/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Mario Henrique Simonsen era uma das unanimidades dos anos 60 a 80 no Brasil. O brilhante professor era considerado por todos, brilhante. Pouco importou que suas mirabolantes teorias não salvaram a economia do Brasil, de fato, pode-se argumentar que pioraram a situação, mas o adjetivo brilhante e Simonsen pareciam ser inexoravelmente casados. As outras duas grandes paixões de Simonsen eram a música clássica e um bom scotch. O homem entendia tanto do primeiro assunto que era freqüentemente convidado a escrever longos e rebuscados artigos sobre música clássica em diversas e importantes publicações. Quanto ao segundo quesito, parecia entender, e consumir com liberalidade.


Nunca vi ninguém sugerir que Mario Henrique Simonsen fosse um mal profissional, ou que os objetos de sua paixão fora da ciência o desqualificassem para o exercício de um cargo, seja ou não público. Lembrem-se, Simonsem era supostamente tão fera que fez parte do Conselho de Administração do Citibank, numa época em que este tinha uma posição relativamente mais forte do que hoje, apesar de sua menor escala.

Antes de continuar meu raciocínio, devo dizer que nunca fui simpatizante do PT, nem tampouco, do Presidente Lula. Nunca fui PT roxo, branco, vermelho ou de cor alguma. Sempre achei o partido manipulado: supostamente é um partido de operários, no qual o único operário de destaque era, e é, o próprio Lula. De resto, sobressaem na agremiação diversos intelectuais, políticos profissionais, ex-terroristas, arrivistas, artistas de diversos matizes e até milionários, que de operários nada têm e só usam a imagem do partido. Portanto, não tenho paixões, nem tampouco razões intestinas ou motivos irracionais para defender o PT, ou coisas ou personagens referentes ao mesmo.

Hoje existem leis no Brasil que proíbem o preconceito racial, e acho isso uma boa coisa. Sinal de que a sociedade evoluiu bastante, pelo menos no papel. Atualmente um indivíduo pensa duas vezes antes de deslanchar um ataque verbal contra uma pessoa de outra raça, pois seu ato pode levá-lo a ver o sol nascer quadrado. Mas apesar dessa evolução, ainda temos preconceitos imensos em diversas áreas, principalmente o preconceito social.


Lembro-me de uma entrevista nas páginas amarelas da Veja, com o sambista Zeca Pagodinho. Nessa falou-se muito do trabalho social feito por Zeca no bairro onde mora, e outros aspectos da sua vida profissional e pessoal. O entrevistador deu o golpe final, e obviamente intencional, ao perguntar ao sambista quais foram os assuntos de uma recente conversa que tivera com o presidente. O sincero músico respondeu que os assuntos foram “cachaça e samba”.


Muito me preocuparia se o Presidente tivesse revelado segredos de Estado ao pagodeiro. Ou pedido conselhos sobre uma futura reunião com o Presidente Chavez, sobre as abaladas relações com os Estados Unidos, ou se pedisse para dar uma olhada no orçamento, fazer alguns cortes e sugerir um novo Embaixador para o Japão. Não, o presidente conversou sobre cachaça e samba.


Suponho que muitas pessoas consideravam Simonsen brilhante por que quando começava a discorrer sobre economia, reduzia conceitos em polinômios e derivativas, ininteligíveis até para os mais espertos ou preparados dos seus interlocutores, muitos dos quais fingiam entender o que significavam o bando de “x” e “y” e miríades de letras gregas, provavelmente abanando incessantemente a cabeça, com ar de compenetrada e consciente anuência. Ou seja, a alcunha de “brilhante” tinha tanto a ver com a óbvia capacidade do professor, como com a ignorância da maioria da humanidade em relação aos assuntos discutidos pelo professor. Afinal, quando você não entende o que uma pessoa está dizendo, a chama de louca ou de brilhante.


Nunca vi ninguém dizer na lata, ou mesmo sugerir, que ao balbuciar coisas que ninguém entendia, Simonsen estivesse com muito Chivas ou Johnny Walker, Stravinsky ou Debussy na cabeça. Atribuía-se o colóquio ininteligível à sua óbvia capacidade acadêmica e intelectual, pouco importando que muitos dos seus experimentos, na prática, tenham dado errado.


Entretanto, quando descobriu-se que Lula e Zeca Pagodinho conversaram sobre cachaça e samba, imediatamente deduziu-se que o Presidente tem muito álcool e música popular no cérebro para ocupar o cargo máximo da nação.

Quando faltam argumentos racionais para se combater alguma pessoa, descamba-se para o preconceito. Quando uma pessoa não se enquadra no nosso ideal de “tchurma”, descamba-se para o preconceito. Assim é que a exploração de um suposto lado sambista e cachaceiro do presidente nada mais é do que preconceito social. Na falta de argumentos que requerem um embasamento técnico ou factual, e cansativas explicações, desqualifica-se o presidente com base nas suas paixões “de gentinha”. A música e a bebida não desqualificavam Simonsen por que eram gostos finos, sinal de apurado requinte e background. Este continuava brilhante, apesar dos seus gostos, aquele continua “gentinha”, por causa dos seus.


Criticar o governo e governantes faz parte do processo democrático, quando a discussão é fundamentada em fatos e conceitos que transcendem os gostos, ou até hábitos etílicos pessoais do governante. Nesse ponto, embora não tenha o mínimo de inclinação petista ou lulista, vejo-me forçado a defender o Lula, pois o argumento em pauta é completamente falho.


Afinal de contas, porre é porre. Seja de scotch, champagne francesa ou de cachaça.

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A Vaca

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Já vi em filmes, contos, piadas, narrações, programas de televisão, estórias em quadrinhos, enfim, dizem por aí que uma das primeiras, quem sabe a primeira redação de todas as crianças teria como tema a vaca.

Com o passar dos anos, a memória fica um pouquinho engraçada, de fato, sei que hoje em dia algumas coisas que tenho como acontecimentos reais na realidade não ocorreram. Ou aconteceram de uma forma um pouco diferente da minha nublada memória. Acho que mudam as perspectivas, o que era luxo para mim com seis anos não é mais hoje, o que era grande hoje ficou pequeno, a definição de belo muda, quem sabe atualmente acharia o delicioso hamburger que comia ao lado da Pirani um lixo. Mas de uma coisa eu tenho certeza absoluta. Nunca tive a vaca como tema de redação!

Comecei então a me preocupar, como se a oportunidade perdida de discorrer sobre a nobre ruminante significasse uma parte arrebatada da minha infância. Como tantas outras. Mas esta era mais importante, por que nem todo mundo pode correr de kart, nem todos podem visitar a Disneyworld quando são pequenos, mas todos podem escrever sobre a vaca. Transcende limitações econômicas, é um denominador comum entre pobres e ricos. A vaca é democrática e disponível a todos como o SUS. E eu não tive esta oportunidade.

Passei a questionar toda validade dos métodos didáticos usados para me tirar da ignorância, e, confesso que me revoltei. Tornei-me amargo. Tudo bem que no meu pré-primário usavam cadernos quadriculados de matemática para ensinar caligrafia, até vejo a deturpada lógica deste método esquisito, mas foi muita sacanagem tirar-me o prazer de discutir a vaca em toda minha esplendorosa honestidade pueril.

Nem mesmo na faculdade (e olhe que minha faculdade era especializada em agronomia) me deram a chance de expressar meus pensamentos sobre a simpática esposa do boi, sem a qual não teríamos bolos, docinhos e tantas outras iguarias. E sem a qual o buraco na camada de ozônio seria bem menor, é verdade.

Cheguei a pensar em fazer terapia. Sim, eu tinha um vazio aqui dentro, precisava de ajuda profissional, pois uma pessoa não pode passar a vida sem escrever sobre a vaca. A não ser que seja analfabeto, lógico. Como não o sou, e como ando duro para desperdiçar dinheiro com análise, apesar da suma e essencial importância da questão, cheguei a uma solução para o meu problema. Já que tenho este blog, resolvi escrever sobre a vaca. Pois bem. Eis aqui a minha redação sobre a vaca.

A VACA

A vaca é...diria, assim...a vaca, sem dúvida...Digamos que a vaca...Eu e a vaca...A vaca e eu...eu vi uma vaca....a vaca é da hora...ai,ai,ai. CHEGA!!!!

Quem foi o idiota que inventou que vaca é um bom tema para redação??????

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O preconceito na evolução

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Fez um certo furor na imprensa mundial as afirmações recentemente feitas pelo biólogo inglês James Watson, que ganhou o prêmio Nobel em 1953 ao descobrir a estrutura do DNA. O cientista reafirma, com todos os pingos nos "i" e sem um pingo de vergonha, que a inteligência dos negros seria inferior a dos brancos, suscitando novamente um grande debate.

Tal assertiva é usada até hoje pelos racistas para justificar seu espúrio modo de pensar. O curioso é que não há nada de novo nisso.

A memória das pessoas é muito seletiva, principalmente ao defender posições dogmáticas. É fácil esquecer que quando Darwin começou a postular a sua Teoria da Evolução, no século XIX, entre os grupos da sociedade inglesa que mais o apoiou, inclusive financeiramente, estavam os racistas de carteirinha, colonistas e exploradores que viam na teoria uma forma de justificar a continuidade da escravidão offshore, principalmente nas lucrativas plantações do Caribe. Pouco a pouco foi se esquecendo o assunto, o tráfico de escravos acabou, embora a exploração da África por diversos povos europeus tenha continuado até a década de 70 (alguns diriam até hoje), e a teoria perdeu seu poder político/econômico e ganhou peso "científico", principalmente após a descoberta do DNA.

Ocorre que a genética, em si, não prova a existência da macroevolução, simplesmente prova a existência da genética, que diga-se de passagem, tem toda a pinta de ser "criada", sendo muito análoga a programas de computador.

De fato, a própria teoria da macroevolução, considerada sofisticada, é bem simplória, equiparando a evolução da biota inteira à evolução do ser humano, partindo do óvulo até tornar-se adulto. Há diversas evidências circunstanciais de que a evolução poderia ser confirmada, mas justamente o registro fóssil, que deveria comprovar "ipso facto" que a macroevolução é verdadeira, foi considerado inepto para tanto. A teoria do Equilíbrio Pontuado, postulada pelo falecido paleontólogo da Harvard, Stephen Jay Gould, nos anos 70, nos diz que não devemos esperar que o registro fóssil documente as espécies transitórias, ou seja, que comprove a macroevolução, pois tais mudanças ocorrem muito rapidamente sob o ponto de vista geológico, e não sobrevivem em forma de fósseis. Ou seja, não pode ser provada por esse meio. Portanto é impossível saber se trilobitas evoluiram de bivalves ou vice-versa. Só temos que acreditar em Gould...

Por fim, o criacionismo não exclui nem a genética, esta sim comprovada, nem tampouco a micro-evolução, observável.

Numa sociedade cada vez mais secularizada, a crença cega na evolução tem um papel importante num mundo de relativismos e humanismos, por eliminar certos valores morais absolutos. E ajuda a excluir Deus de diversas equações.

Assim, ou você acredita na palavra do mortal Stephen Jay Gould ou na palavra de Deus.

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Uns mais iguais que os outros

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Hoje vivemos na época da imprensa livre no Brasil. Uma das coisas que o quarto poder mais se gaba é de ser imparcial. Faz parte do comportamento politicamente correto, do jornalismo ético, de uma nova moral. Entretanto, em questões religiosas a grande midia brasileira quase nunca é imparcial, de fato, é o contrário.

Na versão online do Estado de São Paulo de hoje aparecem duas notas de cunho "religioso", típicas da diferenciação do tratamento dispensado aos não evangélicos e aos evangélicos pela grande mídia. Aos primeiros, respeito, palavras medidas, cuidado para não ofender. Aos segundos, sarrafo neles. Os dois personagens de hoje são o Rabino Henry Sobel e o Padre Julio Lancelloti.

Antes de começar, quero dizer que nada tenho contra o Rabino ou o Padre e muito os respeito e aprecio seus respectivos trabalhos nas comunidades que servem.

No caso do Rabino, a noticia tinha a ver com a sua renúncia à presidência do rabinato. Muitos se lembram que o Rabino foi recentemente envolvido em um processo criminal nos EUA, na Flórida, acusado de furto. A matéria faz uma breve menção ao assunto, informando, de forma extremamente delicada, mas erronêa, que o religioso fora meramente "acusado" de furto. Na realidade, foi acusado e declarado culpado de furto pequeno, com própria admissão de culpa, cumprindo pena de trabalho comunitário. Ou seja, a nota diz uma conveniente meia-verdade.

Por outro lado, a cobertura da prisão do casal de pastores evangélicos Sonia e Estevam Hernandes, na mesma Florida, tem sido tudo, menos delicada. De fato, no popular, a imprensa tem pegado pesado. Da mesma forma que o Rabino de apurado gosto na indumentária, o casal Hernandes cometeu uma grave infração, por não declarar dinheiro que traziam em sua companhia ao entrar nos Estados Unidos, excedendo um certo limite. Entretanto, a imprensa brasileira logo se concentrou nas acusações de lavagem de dinheiro existentes no Brasil, de certa forma implicando que o dinheiro trazido pelo casal, naquela ocasião, e anteriormente, também seria de origem questionável. Aí a arguta imprensa se esquece de um importante detalhe, que este casal já vendeu milhões de exemplares dos seus CDs e outros produtos, diga-se de passagem, editados pelos mesmos, e que como qualquer outro escritor ou músico de sucesso, ganham muito dinheiro com a atividade em forma de royalties. Não se vê a imprensa se interessando se músicos de sucesso como a Gal Costa ou autores de best sellers como Paulo Coelho têm imóveis ou carros no exterior, nem são estes acusados de lavagem de dinheiro. Simplesmente a imprensa implica que todo o dinheiro do casal Hernandes seria de origem suspeita, agindo como policial, promotor, juiz e executor da sentença, tudo ao mesmo tempo.

Falando em pegar pesado, vamos falar em pegar leve. O trabalho do Padre Lancelotti na Pastoral do Povo é de fato maravilhoso, mas o recente caso de extorsão contra o religioso parece mal explicado. E a imprensa, sempre tão ágil em achar e contatar ex funcionários de pastores evangélicos envolvidos em problemas, simplesmente parece estar contente com a simplória explicação deste caso. Pôs-se um ponto final. Limita-se a publicar que a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou uma manifestação de apreço e solidariedade. Para que, pergunto eu?

A mera menção de gravatas Hèrmes ou Mitsubishi Pajeros ou dezenas de milhares de reais ou Flórida, em casos envolvendo evangélicos geram os mais sórdidos desdobramentos e infindáveis matérias...

Não há dúvida de que alguns elementos da imprensa brasileira de modo geral vêm os pastores evangélicos como inimigos, que afastariam milhões de pessoas da sua órbita de influência e consumo. Por isso, os atacam com tanta veemência, certamente não dispensada nem mesmo quando um pai de santo mata uma pessoa. Isto, em si é uma miopia severa, pois embora alguns milhões de evangélicos (assim como outros milhões de não-evangélicos) realmente não dêm bola ao que a mídia tem a dizer, há diversos outros milhões que lêm jornais e são bem informados, e ficam ofendidos com gratuitos, tendenciosos, óbvios e parciais ataques contra líderes evangélicos.

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Abacaxi

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Fiquei super entusiasmado com um abacaxi que comi outro dia. Não conseguia parar de comer a fruta, de tão boa. Depois, comecei a me lembrar de diversas, memoráveis e saborosíssimas peras, uvas, ameixas, bananas e outras iguarias naturais que saboreei, e cheguei à conclusão, pra que sobremesas, se já temos as frutas!!! Frutose é bem melhor do que açúcar refinado! Isto partindo de alguém que ama chocolate, balas e sorvete.

O grande problema é que comprar frutas nos Estados Unidos é uma verdadeira loteria. Outro dia minha esposa comprou uma linda maçã que estava maravilhosa e cinematográfica por fora, e totalmente bichada por dentro. Só faltava sair uma taturana ou traças dos recônditos frutosos. Sem contar as secas mexericas, que deviam ser vendidas como mixurucas. Peras que dão água na boca, mas são mais duras do que pedra. Uvas sem qualquer gosto, bananas que estragam 20 minutos após sair da loja. As sobremesas industrializadas, por bem, por mal, são padronizadas. Sabe-se lá que produto colocam lá dentro, para ficar com o mesmo gosto. Deve ser l-butil-sarameminguil-de-sulfanil-de-extrail-urânio-plutoniado HCl, mas tudo bem.

O presente de Natal mais memorável que recebi até hoje foi uma caixa de deliciosas laranjas. A gráfica que me prestava serviços me deu este presente durante dois anos seguidos, e quando não veio no terceiro, quase chorei de desgosto. Saudosos anos...

Inicialmente achei estranho o mimo, mas quando comecei a consumir aquelas deliciosas, alegres e suculentas esferas alaranjadas, verdadeira obra prima de Deus, só faltava dar pulos de alegria, sair gritando pela rua e bater a cabeça na parede. A tristeza chegava quando a caixa começava a minguar. Aí, eu começava a ficar que nem um cachorro bravo guardando sua comida. Ai de quem chegasse perto das minhas preciosidades cítricas. Nunca vi laranja igual àquela!

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Trotes

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Sim, eu era chegado num trote. Um amigo meu se lembrou recentemente do meu pueril prazer em ligar diariamente ao Consulado Espanhol de São Paulo, nos anos 70, para perguntar desesperadamente se o ditador Franco havia morrido. Fazia isso com uma regularidade de invejar qualquer constipado.

Como não tinha telefone em casa, pois eram os anos 70 afinal de contas, o meu instrumento de trabalho era limitado. De fato, só conseguia "trabalhar" direito na casa da minha tia, quando ninguém além do meu cúmplice, meu irmão, estava olhando. Daí descambava a procurar incautos na lista telefônica, até um dia que descobri que minha vítima havia morrido.

Abandonei o hábito e me recuperei.

Mas, de modo geral, o brasileiro tem um fascínio por essa infantil atividade. Daí a razão do programa do Mução fazer tanto sucesso, e até o Pânico usar o trote como meio de entreter.

Agora, ganhar dinheiro com trote é muita ganância para o meu gosto. A operadora Claro resolveu institucionalizar e padronizar o trote, oferecendo o trote pré-fabricado, beneficiado como um pacote de oleosos Elma Chips. Mas a idéia, embora inovadora, ainda bem que não vingou. O trote não industrializado, verdadeira manifestação artística popular, a literatura de cordel das classes mais abastadas, venceu e o "serviço" foi cancelado, para o bem das artes...

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VARIG na Escandinávia

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Confesso que nunca entendi por que a VARIG voava para Copenhaguen, na Dinamarca, em vez de voar para Estocolmo na Suécia. Para mim faria mais sentido voar para a Suécia, haja visto o número razoável de empresas suecas de grande porte existentes no Brasil, sem dúvida um número superior ao de companhias dinamarquesas.

Agora entendo.

Outro dia estava fazendo um trabalho de tradução do sueco, e encontrei a palavra "varig" naquele idioma. Quer dizer PURULENTO!!! Que coisa horrível! Já imaginou viajar numa companhia aérea chamada purulenta? Sem dúvida daria nojo de comer o jantar ou ir ao banheiro. Ou recostar nas poltronas...Pus para todo lado...

Enganam-se aqueles que acham que o sueco e o dinamarquês são idiomas idênticos, pois no dinamarquês a palavra "varig" tem um sentido nobre e positivo. Quer dizer, permanente ou duradouro.

Durma-se com um barulho desses. Agora entendo...Ah, o marketing e os idiomas...

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O país do faz muita conta

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

O presidente Lula declarou em Goiás, solenemente, que o Brasil não é mais um país de faz de conta. Assaz impressionado com a pujança do cerrado brasileiro, verdadeiro celeiro do mundo, o presidente usou a frase de efeito, cujo intuito óbvio é incentivar e empolgar o povo brasileiro.

Não quero melar a festa de ninguém, mas haja visto a recente aprovação do CPMF em segundo turno de votação, pela Câmara de Deputados, eu, Carlos de Paula, anuncio solenemente que o Brasil é um País de Faz Muita Conta. Por existirem muitos impostos.

Existe um subtexto do CPMF, que tem a ver com o grande volume de sonegação tributária no Brasil. Sonega-se adoidado, com ou sem pente fino. Assim, um imposto cobrado por bancos, e repassado ao governo federal, seria em tese uma forma de arrecadar um pouco mais daqueles que sonegam impostos, pois os bancos teriam mais controle sobre o dinheiro dos endinheirados. Sabe, aqueles caras que ganham milhões, e na declaração de renda diz que ganham 100 paus por ano. Pois bem, esses 0,38% são retirados, por movimentação bancária, da conta destes sovinas milionários e enviados aos cofres da União.

O grande problema é que o CPMF acaba sendo mais um imposto regressivo entre tantos que achatam a classe média brasileira. A carga maior recai sobre a classe média, aquele pessoal que rala e gasta todo seu salário mensalmente, está pendurado no cheque especial e crediário, e ainda tem que pagar 0,38% por cada movimentação bancária, movimentação do seu próprio dinheiro que já foi tributado. Sabe aqueles que não estão na economia informal, não recebem numerário e não têm como se esconder.

Aqui nos EUA não é muito diferente. Quem paga imposto é a classe média. Sim, os Bill Gates da vida pagam milhões em impostos, só que têm outros milhões de deduções que só se aplicam aos milionários e acabam pagando uma porcentagem muito ínfima dos seus ganhos efetivos, enquanto a classe média não pode deduzir despesas de saúde, educacionais ou juros de cartão de crédito e vai ficando cada vez mais pobre. E sem educação e sem saúde. E dá-lhe imposto regressivo...

Assim, não tenho dúvida de que o CPMF vai passar no Senado também. E pode comprar uma calculadora nova no crediário, pois o Brasil continuará sendo um País do Faz Muita Conta.

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Mímica

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Recentemente fiquei sabendo da morte do grande mímico francês Marcel Marceau. O episódio me fez lembrar algo super interessante que ficou no fundo da minha memória.

Cenário - Colégio Estadual Prof Macedo Soares, na Rua Albuquerqe Lins, em São Paulo, década de 70. Não sei precisar o ano, pois os neurônios começam a brincar com a gente depois dos 40. Só sei que estávamos no auge da ditadura. De repente, chamam os alunos para o pátio. Devia ser algo importante. Será que era outra vacina contra meningite?

Não me lembro se todos os alunos do turno ali estavam. Os alunos presentes fizeram uma grande roda em volta de uma das quadras tortas do colégio. Sim, as únicas quadras tortas do mundo. Com um ângulo de pelo menos 4 graus. Mas isso não vem ao caso.

De repente aparece um soturno sujeito com a cara pintada, no meio da quadra. Não parecia palhaço. Começa a fazer algumas coisas às quais não estavamos acostumados. Crianças brasileiras da classe média baixa não tinham o costume de ir a teatros, embora existissem muitas peças infantis na cidade inteira, e de fato, o colégio ficasse a somente um quarteirão de um dos teatros mais tradicionais da cidade, o teatro São Pedro. Pintavam convites gratuitos, mas acho que teatro era visto com uma ponta de desconfiança pela classe média baixa da época. Podia aparecer o DOPS ou o Mariel Mariscot no meio de um espetáculo, acho que era esse o medo...

No começo, confesso que a coisa foi estranha. Pouco a pouco, fomos nos acostumando, e acho que no final a grande parte da criançada gostou daquilo, era mímica. Descobri que o nome do cara era Ricardo Bandeira.

Pois bem, o que tinha acabdo de acontecer, hoje tenho ciência, foi que fomos premiados com uma performance do Marcel Marceau brasileiro, Ricardo Bandeira. Não sei se o Ricardo tinha o costume de fazer isso em diversas outras escolas de São Paulo, mas o fato é que naquela tarde dos anos 70, fomos brindados com a visita de um grande artista brasileiro. Se você teve uma experiência similar, ou se estava na quadra torta do Macedo naquele dia, compartilhe com o resto do mundo!

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A culpa é do gerúndio

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

O gerúndio é uma das divisórias que separam o português brasileiro do continental. E está sob ataque no Brasil também. Com canetadas, espera-se eliminar o gerúndio do linguajar dos burocratas do governo do Distrito Federal.

Pois não é que o Decreto n. 28.314, de 28 de setembro de 2007, proíbe o uso de construções do tipo "vou estar verificando" do burocratês brasiliense?

Sem dúvida, atualmente acredita-se demais no poder metafísico das palavras, como se elas, meros instrumentos, tivessem poder para modificar os pensamentos daqueles que as usam. Assim, espera o governador José Roberto Arruda que o burocrata de Brasília, com medo de perder o emprego, pare de usar a nociva construção verbal que julga ser a fonte da ineficácia governamental. E desta forma atinja novos paradigmas de eficiência nunca dantes experimentados na Terra Brasilis, ou pelo menos na Terra Brasiliensis.

Para começo de conversa, o uso excessivo do gerúndio é um vício de linguagem como tantos outros. Infelizmente, somos conduzidos por besteiras como programação neuro linguística, a crer que a verbalização dos nossos pensamentos controlam nossos cérebros, e não o contrário. Portanto, não é de todo ilógico que com base nesse conhecimento pseudo-científico o bem intencionado governador, que é engenheiro de formação, ache que mudará alguma coisa na máquina governamental.

Esse tipo de coisa não é tão rara assim. Proibição de certos tipos de construção e palavras negativas parecem fazer parte de uma nova metafísica da governança, que certamente tem sido ensinada por caríssimos consultores internacionais a ingênuas empresas e órgãos públicos mundo afora.

Não precisa dizer que sou cético. O que dizemos indica o que pensamos, não o contrário. Nossas verbalizações são fruto dos nossos pensamentos, e proibir certa construção verbal em nada mudará a eficácia da máquina governamental. Provavelmente aumentará a neurose. Em última análise, o que tem que mudar é a mentalidade e não as palavras.

Como diria um famoso político, e estou parafraseando, "pelo menos não estamos matando, nem roubando ou desviando dinheiro público, mas estamos cometendo um grande erro, talvez o maior das nossas vidas...Num primeiro momento não estávamos percebendo sua extensão..."

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Briga Record x Globo

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Há questão de trinta e muitos anos atrás, me lembro que só assistíamos a Record em casa. Afinal, era lá que passava a Família Trapo, a Jovem Guarda, os Festivais de Música, a Praça da Alegria e o Show do Dia Sete. Foi lá que assisti minha primeira novela. Era de longe o melhor canal, com os melhores artistas e qualidade de produção. Como era criança, não sei exatamente o que ocorreu por volta de 1970 - de repente, a Record ficou esquisita. Pairava uma tristeza no ar, falta de pujança, parecia um enfermo cuja doença ainda não havia sido diagnosticada. Lembro-me vagamente que a emissora havia sido vítima de diversos incêndios no final da década de 60, que provavelmente eram a causa da sua derrocada. Eram os anos da ditadura brava, muitas coisas não eram abertamente explicadas. Primeiro, começamos a assistir o Topo Giggio na Globo, e de repente, só assistiamos Globo. Assim foi até sairmos do Brasil.

Na realidade, quando saímos do País a Record parecia falida. Aí já era um pouco maior, e podia entender as coisas melhor. Programas improvisados como o musical "Domingão Tudo Bem" obviamente não poderiam fazer frente a um padrão Globo de qualidade. Sem dúvida a Globo fazia TV diferenciada no Brasil e eu jurava que a Record, que passava a maior parte do dia exibindo filmes de questionável qualidade e desenhos animados dos anos 30, faliria.

Pois não é que hoje a Record realmente perturba a Globo? A emissora carioca ainda é a rainha da TV, mas dá sinais de cansaço. Diversos dos seus concorrentes mais fortes dos últimos 30 anos, como a TV Tupi e Manchete, já se foram, nem existem mais, e o SBT e a TV Bandeirantes nunca foram grande coisa.

Sem entrar no mérito da questão Edir Macedo ou Time Warner, o curioso disso tudo é que exatamente trinta e sete anos depois, não só a Record sobreviveu, como hoje incomoda a Globo.

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O novo futebol

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Sei que a jurisprudência indicará, nos autos do processo movido pelo jogador Richarylson contra um conselheiro do Palmeiras, que o futebol seria uma atividade "viril e varonil". Isso indicaria que realmente é um jogo pra "macho".

Pois eu já acho que o Dunga deveria convocar a Marta para o lugar dos nossos frouxos milionários jogadores viris e varonis, que se dizem entusiasmados por participar da Seleção brasileira, e quem sabe a Cristiane e algumas outras. Para o time "viril e varonil".

Só espero que o futuro campeonato brasileiro de futebol feminino não estrague nossas jogadoras. Confesso que há muito tempo não vejo jogadas tão bem executadas, com tanto talento, e acima de tudo, vontade.

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Apelidos

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Um dos principais jornais do Brasil publicou uma nota curiosa hoje. Dizia que um aluno de uma escola situada no Nordeste estava usando o orkut para ameaçar seus colegas com armas automáticas e semi-automáticas, alegando ser vítima de bullying. O aluno é novo na escola, e já tinha se mudado de outro colégio, onde era chamado de um apelido que não foi identificado.

Daí me lembrei das Pegadinhas do Mução. Para quem não conhece, é um programa de rádio do nordeste. O apresentador liga para uma série de incautos com apelidos que detestam, joga papo fora durante uns cinco minutos, sobre assuntos mundanos como compra de um carro usado e confecção de docinhos, e daí vem o bote. Quando a pessoa menos espera é chamada pelo seu apelido nefasto, coisas do tipo Chico Butico e Célia Beiçola, e vira um verdadeiro bicho. De pessoas educadas e cordiais, tornam-se verdadeiros animais, entre outras coisas ameaçando de morte o surpreso Mução, que embora jovem, faz uma embutida voz de velho.

Acho que apelidos são uma coisa mais séria no nordeste do que no sul. Eu gostava de dar apelidos para os outros quando era pequeno, e um dia resolvi dar um apelido para mim mesmo para não ter problemas futuros. Um simples Carlê. Entretanto, havia um sujeito que vivia querendo me dar apelidos, que não colavam de jeito algum. Tinha muita gente que tirava uma da cara do coitado, por que o achavam afeminado, apesar de grandalhão. Eu o deixava em paz, mas não sei porque, resolveu que eu seria sua única vítima, objeto da sua vendetta contra o mundo. Primeiro tentou me chamar de Capacete, por que eu usava um chapeuzinho que ele julgava parecer um capacete. Como eu já gostava de corridas de carros, o apelido me parecia mais um elogio do que pejorativo.

Um belo dia, o sujeito resolveu mudar de tática e me chamar de cospe-cospe, ou gospe-gospe, por que achava que eu cuspia falando. Que eu me lembre, não tinha o hábito de salivar no rosto alheio. Mas como não gosto de fazer com que os outros mintam, dei-lhe uma bela cusparada na cara, daquelas de dar inveja em campeão de cuspe à distância. E fim de papo. O problema acabou ali mesmo.

Não perdi uma única noite de sono por causa deestes apelidos. Portanto, não entendo por que tanta gente sai do sério por causa de uma mera alcunha. Será que alguém poderia me explicar, por favor? É uma questão regional? Fico aguardando. Só não me chame de cospe-cospe por que eu descobri como cuspir pelo e-mail.

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Desculpa esfarrapada

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Todos estamos acostumados com fatos inexplicáveis no mundo da política. Neste ambiente parece que tudo vale e nada choca. A maior parte das negociatas, transações e acordos entre as facções mais díspares possíveis nunca vem a público, e as poucas que vêm, assustam qualquer ser humano sensato.

Pois não é que na Polônia, país considerado frio não só climática, mas socialmente, e até segunda ordem, um país considerado conservador sob o ponto de vista moral, em suma, um dos países mais fervorosamente católicos do mundo, surgiu um certo Partido das Mulheres. Até aqui tudo bem. Não é este o problema, acho que as mulheres devem participar ativamente da política, sim. Mas normalmente, as mulheres participam da política visando ser aceitas como pares pelos homens, como seres pensantes e capazes, e não como meros objetos de desejo, utilitárias ou para preencher cotas e fazer com que os machões se sintam politicamente corretos.

Pasmem, o tal partido resolveu apelar, e sua propaganda de lançamento contém sete mulheres peladas. Sim, leu certo, peladonas da silva. Ou Peladowska Da Sylwowski. Segundo Catajina Cruell, membro do Partido que cometeu verdadeira crueldade contra o meu intelecto e de bilhões de outros seres humanos, a nudez no cartaz é uma forma de protesto!!! Ra, ra, ra. Protesto, diz ela. Assim como o Clodovil se absteve de votar na questão do CPMF por protesto...A revista Playboy é uma revista de protestos, viu? Segundo Cruell, o cartaz quer mostrar que as mulheres são capazes de qualquer coisa. Suponho que quer dizer inclusive de tirar a roupa para ganhar votos. Por outro lado, Cruell parece ter uma idéia um pouco invertida de simbologia. Diz ela que nudez é símbolo de limpeza. Nunca ouvi isso. Transparência até vai lá, mas limpeza!!!!

Enfim, o objetivo parece óbvio. Ganhar votos na base da apelação. Ou apeladação. Já não sei o que pensar. Segundo a chefona do partido, as peladonas são mulheres "inteligentes, orgulhosas e compromissadas". Dá-lhe Cicciolina!!!

Só espero que as políticas brasileiras não adotem o método de "limpeza" e Marta Suplicante, Heloisa Helena e Luiza Erundina não apareçam "al fresco" em cartazes de futuras campanhas.

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Tão mudando tudo

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Não advogo a violência em qualquer circunstância. Aqueles que me conhecem sabem que não sou nada violento. De fato, pode me xingar de cima para baixo, que não reajo, não estou nem aí. Pode ser que me falte adrenalina no corpo, sei lá eu. Acho brigas um grande desperdício termodinâmico.

Entretanto, li recentemente que um tribunal no Brasil concedeu ganho de causa a um juiz de futebol que foi xingado em jogo final em Minas Gerais pelo técnico e diretor de um time. Ganhou 15 paus por danos morais. Tem gente que morre envenenada no Brasil e sua humilde família ganha 6 de indenização...Acho que as vidas dos humildes valem menos do que a reputação do árbitro acima.

Certamente o juiz que proferiu a sentença desconhece a doutrina "virilex et varonilex" sobre o futebol, concebida pelo gênio jurídico que recentemente rejeitou o processo movido pelo jogador Richarylson. Segundo o douto jurista, o futebol é uma prática viril e varonil. Portanto, há de se esperar comportamentos viris e varonis em campo.

Assisti o jogo Santos x São Paulo no qual a aspirante a árbritro/enfeite de oficina mecânica Ana Paula Oliveira cometeu uma grande gafe contra o Santos. A câmara deu um close quando os jogadores do Peixe vieram para cima da enganada bandeirinha. Os rostos dos jogadores indicavam que não estavam elogiando os dotes glúteos da Gisela Buncha do Pacaembu, mas que provavelmente estavam especulando sobre a vida profissional da sua genitora. Não digo que ela gostou, mas seu comportamento foi certamente viril e varonil. Coisa de macho!

Já não diria o mesmo do juiz que ganhou os 15 paus. Será que não lhe contaram que a mãe mais xingada do mundo é a de um juiz de futebol? E se não xingam a mãe, invariavelmente questionam a preferência sexual do árbitro? Ou pelo menos é equiparado a assininos...

Pelo jeito não. Bem, já que a A.P. não passou o recente exame físico para árbitros, se a sua incursão nas passarelas não der certo, e indubitavelmente não dará, sugiro que monte uma escolinha de comportamento viril e varonil para árbitros de futebol. Quem sabe aí atinja verdadeiro sucesso.

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Deputados e seus nomes

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Há mais de trinta anos atrás, quando ainda morava no Brasil, me lembro de um sujeito que se candidatava frequentemente ao cargo de vereador em Sampa. Falava aos gritos, com uma cara de doido "Meu nome é Varjão, Varjão é povo" e coisas desse tipo. Que eu saiba, foi eleito, assim como outros como Turco Loko.

Certa feita o Chico Anysio discorria sobre os nomes de jogadores de futebol ingleses, em relação aos nomes dos brasileiros. Dizia que os ingleses tinham nomes completos, bonitos e pomposos, como Bobby Charlton, ao passo que os brasileiros eram conhecidos por Pelé, Pitico, Zito, Zico, Fio, Nenê, Nanico, Mixiba e outras coisas do gênero. Cultura, diferenças culturais.

Tive a paciência de ler a lista completa dos Deputados Federais que representam o povo brasileiro, e consegui compilar algumas jóias para seu deleite. Quis conhecer um pouco quem eram essas pessoas que dão rumo à nação, aprovando ou rejeitando propostas como a prorrogação do mau quisto CPMF.

Primeiro, aqueles deputados que insistem em ser chamados por um único nome, como o nosso querido e agitado Varjão. A começar por "Deley". Ainda bem que é Deley, e não Deinfração ou Dedesordem. Pois bem, depois temos o Tatico. Não é Tático, uma qualidade até desejável em um deputado. Simplesmente Tatico. Há também o Praciano e o Giacobo!!!!

Confesso que não ia mencionar o nome Clodovil, que mais parece nome de remédio ou fibra sintética, mas que fazer. Depois há um deputado com um lúgubre sobrenome ALCOLUMBRE (Davi), além dos cômicos Sérgio PETECÃO, Paulo PIAU, Geraldo PUDIM (ainda bem que não é Pizza!), Lindomar GARÇOM, Edigar MÃO BRANCA, Claudio MAGRÃO, Givaldo CARIMBÃO. Este último podia mudar para CANETADA.

Há outros cujos nomes impõem medo - Sebastião BALA Rocha, Michel TEMER, Fernando FERRO. Ivan VALENTE.

Simão SESSIM. Por um triz, quase dá um contraditório SINÃO SESSIM! Pegaria mal, sabe como é, sentar em cima do muro...

Fernando CHUCRE quase dá CHUCRO!

Adão PRETTO. Será que é casado com Eva BRANCA?

Gonzaga PATRIOTA está no lugar certo. Resta saber se é mesmo o que o sobrenome diz. Fernando CORUJA. Eu mudaria de nome. Todos sabem que corujas dormem durante o dia! Jilmar TATTO tem um excelente nome para político. Beto FARO devia ser jornalista ou investigador...

Cleber VERDE está no partido errado. É do PRB, não do PV.

Por fim, se você descobrir defeitos na pintura do prédio do Ministério das Relações Exteriores, já tem com quem reclamar: PINTO ITAMARATY!

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Kerlon, focas coelhos e etc.

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Muito se tem falado sobre o drible de foquinha do jovem jogador Kerlon, do Cruzeiro. Primeiro, muitos o consideram o novo Ronaldinho. Outros o acham um bobão, um Fio Maravilha da vida, que um dia foi música do Jorge Ben mas que logo depois desapareceu do cenário futebolístico.

Entre outras coisas, critica-se a violência dos zagueiros ao lidar com a foca abusada. Muitos "profissionais" consideram o drible da foquinha um desrespeito a outros trabalhadores que ganham seu pão (e muito mais do que pão, Land Rovers, apartamentos na Barra, se quiserem caviar!!!) jogando futebol profissional.

Acho tudo uma grande tempestade em copo d'água. Os dribles de foquinha do Kerlon são muito divertidos, mas francamente, até hoje não vi uma única jogada iniciada com o divertido drible cetáceo virar gol. Via de regra, ele dá umas quatro ou cinco cabeçadas, e acaba atropelado ou perde o equilíbrio por conta própria.

Já não se pode dizer a mesma coisa do estupendo Garrincha, que literalmente deixava seus desafetos sentados no chão, a ver navios. Ou, mais recentemente, Robinho e suas estonteantes pedaladas. Estas eram jogadas mais eficazes que resultavam em verdadeiro perigo.

Sei que na hora da adrenalina o jogador não é muito racional. Mas as focadas do Kerlon me lembram os inúmeros e ineficazes dribles de Denílson, que geralmente terminavam com o jogador no chão, fazendo cara de coitado e levantando as mãos para o ar.

Zagueiros, façam seu trabalho. Marquem o rapaz direito, com lealdade. Desrespeito é o que os "profissionais" fazem com as torcidas de clubes que lhe pagam fortunas, sempre que os Juan Figer e empresários da vida acenam uma oportunidade de jogar em lugares tão aprazíveis quanto o Uzbequistão. Ou quando jogadores "classe A" exibem um futebol nada varonil ou viril nas Copas do Mundo. Isso é desrespeito. As leis da física simplesmente impedem que a tal jogada da foquinha tenha grande eficácia. Quem prevalece normalmente é o zagueiro paciente!!

E Kerlon, continue. A jogada é muito mais divertida do que os dribles sem imaginação do Denilson.

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Nada de novo sob o sol II ou o ensino da Estória no Brasil

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Não foi erro de grafia. Escrevi estória intencionalmente.

Quando fiz o primeiro e segundo graus no Brasil, o país estava em plena ditadura, na sua fase mais arrochada. Portanto, não surpreendentemente, os livros de estória pintavam um quadro assaz parcial dos acontecimentos históricos contemporâneos, não só nas aulas de estória como nas aulas de Moral e Cívica e da temível OSPB. Esta última matéria quase soa como DOPS!

Não surpeende, portanto, que à medida que a direita deu lugar à esquerda no Brasil, os livros de estória fossem alterados, dando contornos mais rubros ao passado recente da nação.

Assim, ao passo que os livros de estória da fase Medici enalteciam sobremaneira os feitos dos militares no Brasil, mesmo nos seus momentos mais torpes, e o pujante futuro do milagre econômico que afinal nunca se consumou, os livros didáticos da coleção Nova História Crítica exaltam o papel social do MST, elogiam o falido regime Castrista (em plena contramão do que chamamos de democracia) e criticam o acúmulo de capital, no fundo, o desejo de consumo de todo brasileiro (e cubanos, que o diga o ricaço Castro!). Se assim não fosse a Mega-Sena não arrecadaria tanto dinheiro, semanalmente.

Ou seja, só muda a polaridade. O método continua o mesmo, ensinar estória e elogiar ditaduras. Ao vencedor, as batatas!

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Nada de novo sob o sol I

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Não surpreendentemente, a Câmara de Deputados aprovou a prorrogação da CPMF até 2011. De certa forma, também não foi surpreendente que o Senado não aprovou a cassação de Renan Calheiros.

A melhor definição de política que já vi até hoje é "administração de conflitos". Existe, entretanto, um descompasso do que os eleitores e os políticos consideram administração de conflitos.

Os eleitores, que no Brasil são obrigados a votar, ou a pelo menos justificar por que não votaram, são os instrumentos usados para colocar os políticos nos seus respectivos postos. E acham que os políticos lá foram postos lá para administrar seus conflitos. Ledo engano.

Para ser eleito, um político tem que primeiramente ser aprovado pelo seu partido, e depois ter respaldo econômico de alguém para ser eleito, pois campanhas políticas, mesmo para vereador em Quixeramobim, não são baratas. Para obter o respaldo político e econômico para a sua candidatura, o político tem que costurar diversos acordos e assumir diversas posturas ou promessas, visando o seu futuro político.

Na hora "H", o político na realidade está administrando seus conflitos pessoais e de carreira, que têm à ver com os diversos acordos e promessas assumidos na fase de candidatura e financiamento da campanha, e a administração de conflitos dos seus eleitores, uma multidão de anônimos correligionários que o colocaram no poder, é deixada para escanteio.

Assim, as moedas políticas trocadas na votação das grandes causas geralmente se opõem aos verdadeiros anseios do povo. Não conheço nenhuma pessoa que aprove imparcialmente o CPMF, imposto imoral que tributa a transferência de dinheiro da conta de uma pessoa para ela mesma!!! Só no Brasil! Obviamente, só quem ganha com o CPMF é o governo, que assim consegue arrecadar 0,38% adicionais da maioria das movimentações financeiras (verdadeiras fortunas em um mercado de capitais vultoso como o brasileiro) ou quem sabe aqueles que conseguem reter o imposto dos clientes temporariamente, e depois repassa-los ao governo, fazendo um belo fluxo de caixa.

Embora o brasileiro reclame dos seus políticos, esse descompasso existe no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, muito se discute sobre o iminente colapso do sistema de saúde, que corresponde a uma parcela absurda do PIB, mas no fundo os políticos acabam fazendo o jogo dos grandes grupos, que ganham verdadeiras fortunas diariamente, comprometendo a futura viabilidade da nação. A única grande diferença é que nos EUA os cidadãos não são forçados a votar, portanto o descontentamento fica patente com o número cada vez menor de eleitores nas eleições.

Se no Brasil não fosse obrigatório votar, pode crer que menos de 10% dos eleitores votariam. E estou sendo bonzinho...

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Ingenuidade

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Às vezes a gente ouve umas coisas tão ingênuas...Atualmente muitos jornais online colocam à disposição do leitor um espaço para comentar notícias. Em uma notícia sobre a recente morte de um artista brasileiro, um emocionado leitor escreve de forma taxativa que "os artistas não são corruptos". Este sentimento é compartilhado por muitos na sociedade brasileira.

No Brasil somos condicionados a crer que somente políticos, policiais, advogados e empresários são corruptos. O resto é OK. Jornalistas, favelados, engenheiros, operários, balconistas, esportistas, acadêmicos...não, ninguém mais é corrupto. Nem os bandidos são corruptos. Todo mundo é certinho. Não vou entrar no detalhe de outras atividades, só quero que as pessoas se conscientizem de que há corrupção nas artes, sim. Não estou generalizando, só quero apontar que a prática da corrupção realmente existe no ambiente artístico, e vou apontar onde.

Muitos artistas são completamente egoístas. Isso os leva a ter comportamentos corruptos. O vulgo "atropelar quem estiver pela frente para evoluir na carreira" e "tudo pela minha carreira". Tudo é válido por causa de dinheiro e fama. Existem inúmeros humildes artistas que estão se lixando para a fama e dinheiro, e se contentam em fazer sua arte, quietinhos, no seu lugar, puros e sem corrupção. Não vou arriscar um palpite se estes são, ou não, a maioria.

Para começar, as "peladas" da vida. Por um acaso, tirar a roupa por qualquer oferta de dinheiro não é uma forma de corrupção? A corrupção pode ser ativa ou passiva, portanto, não se pode condenar somente as gananciosas editoras ou sites que publicam as fotos. As mulheres que optam por expor suas partes íntimas por dinheiro também estão tendo comportamento corrupto. Além disso hoje há pelados, muitos pelados, filas de peladões com seus balangandãs à vista. Não são só as mulheres que são corruptas, os bonitões da TV agora se despem em profusão - por cash!

E que tal manter relações sexuais com produtores, fotógrafos, empresários, marchands, diretores, patrocinadores e outros poderosos, visando exclusivamente uma pontinha na novela das sete, capa em revista de grande circulação, inclusão em banda, promoção de CD, notinha em coluna, edição de um livro? Isso não é corrupção? A moeda nesse caso não é o real ou dólar, a espécie é o sexo.

Músicos que surrupiam trechos de músicas de companheiros na maior moleza são o que? Artistas de diversas áreas que fazem da fofoca e intrigas contra colegas seu instrumento principal de trabalho, primordial forma de concorrência para derrubar cantores, músicos, pintores, escritores, fotógrafos, escultores, cineastas, poetas, atores, e tutti quanti, o que são eles?

Que tal as inexplicáveis e vultosas verbas públicas a fundo perdido concedidas para certos artistas de diversos matizes. Como foram conseguidas? Por mero talento???

E que tal o uso de drogas? Muitos artistas se orgulham de ser chamados "formadores de opinião", ou seja, influentes na sociedade, mas quando se sugere que o seu amor por entorpecentes promove o uso de drogas na sociedade, e por tabela também são responsáveis pela expansão da violência urbana, logo se desfazem da alcunha de influentes.

Sim, artistas não metem as mãos em vultosas verbas do INSS, até porque não têm acesso às mesmas, nem sabem o que é um precatório, e provavelmente não têm contas em Cayman Islands, embora apartamentos em Nova York e Paris sejam comuns, mas a corrupção não se restringe a apropriação indébita de dinheiro público. De fato, é somente uma das diversas definições no dicionário. Mas entre as outras encontram-se devassidão, depravação, perversão. No verbete "corromper", inclui-se viciar e vício.

Portanto, a visão de que os artistas só nos fazem rir, emocionar, chorar, delirar, proporcionando colírio e bálsamo para as nossas almas e mentes, fazendo-nos esquecer das tristes mazelas do cotidiano e nos animando e entretendo com seus filmes, novelas, programas de TV, livros, fotos, músicas, esculturas, blogs, quadros, etc, e que o fazem com métodos puros e incorruptos é certamente ingênua. Acorda, santa!

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O Grande Itú

07/11/08 | by carlos [mail] | Categories: posting

Os paulistas conhecem bem Itú. A cidade do exagero, que inclusive ganha com isso. Tudo lá é maior. Os souvenirs da cidade são todos imensos, gigantescos lápis e canetas, e outros aparatos menos simplórios, além de enormes sorvetes e chops. Nunca fui lá, portanto, não sou testemunha ocular, mas dizem que há imensas placas, além de um orelhão de dar medo até no Mickey e no Ross Perot.

Pois bem, acho que Itú perdeu seu reinado. Para a China. País de dimensões continentais e habitantes suficientes para popular um planeta, parece que tudo na China é exagerado. Quando acontece um desastre, morrem milhares. Quando executam prisioneiros é de penca para cima. A cidade menos populosa tem sete milhões de habitantes. Os chineses vivem tentando quebrar recordes do Guinness, com imensas pizzas, milk shakes de novecentos litros, setecentas pessoas entrando num fusca, sujeitos que cantam dez horas seguidas, e coisas desse tipo.

No jornal de hoje aparece uma notícia sobre um camarada que aparentemente não estava querendo quebrar recorde nenhum, e morreu do coração após ficar trinta horas seguidas na Internet, jogando em um cassino on-line! E o cara só tinha trinta anos! A notícia não diz se ele parou para comer um arrozinho ou tomar uma Tsing Tao, só diz que ficou vidradão na jogatina até colapsar no teclado.

Brincadeira! Trinta horas!!! Às vezes eu pensava que eu exagerava com minhas 12 horas na frente da telinha (90% do tempo trabalhando, viu), mas trinta horas seguidas é exagero para nenhum ituano botar defeito.

Portanto, Itú não é mais a capital mundial da hipérbole. Exagero Made in China. Estão fazendo dumping de exageros no mundo. O Brasil devia reclamar no WTC, é concorrência desleal. Quem sabe se descobrirem algum defeito de fabricação nos exageros sinos, Itú volte a ganhar seu título.

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